Sindicatos apontam risco de paralisação da Oi e pedem mesa com governo
As federações sindicais (Fenattel, Fitratelp e Livre) que representam trabalhadores da Oi alertaram nesta sexta-feira, 10, para o risco à continuidade dos serviços prestados caso a empresa não consiga superar o grave cenário financeiro apontado pela administração judicial da tele nesta semana.
Diante do quadro crítico, as entidades sindicais conclamaram a abertura de uma “mesa institucional” envolvendo o governo federal, a Anatel, ministérios das Comunicações, do Trabalho e da Casa Civil, além do Tribunal Superior do Trabalho (TST), com o objetivo de construir soluções para a crise na Oi.
Em nota à imprensa, as federações também relataram uma reunião nesta sexta-feira com a administração judicial da operadora, para discutir possíveis impactos sobre milhares de trabalhadores em meio ao risco de esgotamento de caixa e paralisação das atividades a partir de agosto.
“As Federações manifestaram grande preocupação com a possibilidade de que os trabalhadores sejam novamente penalizados pela crise financeira da companhia […] A preservação dos empregos deve ser prioridade absoluta”, afirmaram os sindicatos – para quem qualquer medida envolvendo redução do quadro de pessoal deve ocorrer somente mediante negociação e com garantia integral dos direitos trabalhistas.
Do ponto de vista da continuidade de serviços, as federações classificam a questão como algo que extrapola os interesses empresariais, “alcançando o interesse público, uma vez que milhões de brasileiros dependem diariamente da infraestrutura e dos serviços de telecomunicações operados pela companhia”.
“As Federações também defendem a criação de uma agenda permanente de acompanhamento da crise, reunindo representantes da empresa, dos trabalhadores, dos credores e do Poder Judiciário, buscando soluções negociadas para garantir estabilidade ao setor”, declararam as entidades sindicais.
Reunião com acionistas
Os sindicatos não foram os únicos agentes recebidos pela administração da Oi após o reconhecimento público da situação crítica da companhia, em petição à Justiça.
Segundo comunicado ao mercado emitido pela operadora nesta sexta, 10, a empresa também prestou esclarecimentos a um grupo de acionistas minoritários que detém cerca de 16% das ações ordinárias (ON) representativas do capital social da Oi.
“A reunião teve como objetivo promover o diálogo e prestar esclarecimentos sobre temas de interesse dos acionistas relacionados à situação econômico-financeira do Grupo Oi, observados os limites aplicáveis à divulgação de informações ao mercado e o princípio do tratamento isonômico entre os investidores”, afirmou a empresa.
Como mostrou TELETIME na última quarta-feira, 8, a administração da Oi informou à Justiça que enfrenta uma severa restrição de caixa, agravada pelo atraso na conclusão de importantes operações de venda de ativos e por bloqueios de recursos.
Segundo a Oi, está prevista uma redução da disponibilidade de caixa de R$ 88,1 milhões para R$ 19,6 milhões ao final do mês de julho, o que poderá tornar a operação insustentável a partir de 1º de agosto, com riscos para o pagamento da folha e dos fornecedores essenciais.
