Sábado, 5 de Setembro de 2026

SES Media apresenta tecnologia IP e aposta em modelo híbrido de TV paga

A SES Media apresentou nesta semana, durante o SET Expo 2026, em São Paulo, o DVB-NIP, um novo padrão de transmissão via satélite nativo em IP. A solução, que integra a estratégia da companhia para modernizar o setor, permite a distribuição de conteúdo para múltiplas telas dentro das residências e a inserção de publicidade direcionada.

As inovações visam fortalecer o modelo híbrido de TV paga, combinando o sinal linear tradicional com os serviços de vídeo sob demanda. O lançamento ocorre em um momento de mudança na curva de consumo do mercado de transmissão espacial.

De acordo com Deepak Mathur, presidente da SES Media, o segmento de TV por assinatura via satélite (DTH) enfrentou uma perda significativa de usuários nos últimos cinco anos, mas o índice de cancelamentos atual se estabilizou. Para o executivo, o estancamento da queda ocorre porque a fragmentação dos serviços de streaming tornou o acesso ao conteúdo caro e inconveniente para os consumidores, que continuam buscando pacotes únicos que reúnam entretenimento, esportes e jornalismo local.

“O futuro da televisão é híbrido”, afirmou Mathur. Na visão do presidente da SES Media, as plataformas de streaming atuam como produtoras de conteúdo, e não como empresas de tecnologia, o que mantém as operadoras de TV paga na posição de agregadoras ideais para o consumidor.

A resiliência desse modelo, segundo o executivo, reflete-se na assinatura de contratos de longo prazo por operadoras e emissoras globais, com compromissos de reserva de capacidade de satélite firmados até 2040. Mathur destacou que essas renovações acontecem inclusive na Europa, em locais com infraestrutura de fibra óptica significativa, e não apenas em áreas remotas.

A apresentação da tecnologia DVB-NIP no evento ilustrou a busca do setor por recursos de dados semelhantes aos da Internet. Segundo a empresa, o sistema recebe o sinal multicasting do satélite e o distribui em protocolos IP, como Dash e HLS, para diferentes aparelhos conectados à rede Wi-Fi da residência.

Dessa forma, é possível que múltiplos usuários assistam a canais ou conteúdos armazenados na própria caixa receptora simultaneamente, utilizando televisores, celulares ou tablets.

A principal vantagem do padrão nativo em IP é a coleta de dados de audiência e a inserção de anúncios segmentados. O receptor armazena o perfil de consumo e exibe propagandas específicas para cada usuário. Em locais sem Internet, o sistema guarda as estatísticas de uso e sincroniza as informações com os servidores assim que um dispositivo móvel conectado à rede interage com o aplicativo. Uma operadora da América Latina já adquiriu a tecnologia, com lançamento em massa previsto para o final deste ano ou o início do próximo.

Mathur destacou que o satélite possui a vantagem econômica de cobrir grandes territórios sem custo marginal de distribuição, diferentemente das redes IP puras, cujos custos operacionais aumentam conforme o número de espectadores cresce. Ele explicou que, ao alugar um transponder, emissoras ganham previsibilidade financeira, enquanto os gastos com as redes de distribuição de conteúdo (CDN) no ambiente de streaming variam de forma imprevisível ao longo do ano.

O executivo da SES Media pontuou ainda que o modelo linear evita falhas de sobrecarga em grandes eventos ao vivo. “Nosso trabalho é modernizar o satélite”, disse, referindo-se à necessidade de entregar aos anunciantes as mesmas métricas demográficas oferecidas pelo ambiente digital.

A implementação de padrões como o DVB-NIP e o desenvolvimento da TV 3.0 no Brasil sinalizam um esforço do mercado de radiodifusão e das operadoras de infraestrutura espacial para manter a competitividade diante do streaming. Após a fusão entre a SES e a Intelsat, a companhia passou a carregar 11 mil canais de televisão em todo o mundo. Com uma base de alcance estimada em 2,4 bilhões de espectadores, o sucesso do setor dependerá da capacidade de unir a estabilidade e a previsibilidade da transmissão linear à inteligência e personalização de dados exigidas pelo mercado publicitário.

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