Sequestro de redes de telecom se alastra para novos estados
O “sequestro” de redes de telecom por facções criminosas que exercem domínio territorial de bairros e comunidades está se alastrando para novos estados. Além do Rio de Janeiro e do Ceará, ocorrências na Bahia e Pará têm preocupado o governo. Já empresas observam o problema também nos estados do Amazonas e Espírito Santo.
A questão foi abordada nesta terça-feira, 3, por Rodney da Silva, diretor de Operações Integradas e de Inteligência da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), vinculada ao Ministério da Justiça. Ele participou do segundo dia do Painel Telebrasil 2025, realizado em Brasília.
“Além do Rio de Janeiro, temos um problema tão grave quanto ou maior na Bahia, Ceará e Pará”, pontuou Silva. Ao TELETIME, o representante da Senasp classificou o caso baiano como o mais complexo no momento, dada à variedade de facções que têm atuado no estado.
Já o Espírito Santo e o Amazonas foram mencionados pela Associação Neo, que agrega operadoras de pequeno porte. “O cangaço digital está se alastrando em velocidade quântica no Brasil e no final do dia clientes estão sendo atendidos de maneira ilícita”, lamentou um representante da Neo.
Além do sequestro de redes e da cobrança de mensalidades para atuação de provedores legais em determinadas áreas, algumas facções possuem suas próprias operações de banda larga. No caso das redes móveis, também tem ocorrido restrição à manutenção de estações rádio base, aponta a Neo.
Medidas
Segundo Rodney da Silva, o governo está gestando um programa para retomada de territórios dominados por facções, com um piloto previsto no estado do Rio Grande do Norte. A ideia é combater grupos como o Comando Vermelho (CV), Terceiro Comando Puro (TCP) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), além de milícias.
A iniciativa não tem foco específico em telecom, mas a Senasp está começando a se engajar com Anatel e empresas para que uma ação voltada ao setor seja possível – de forma análoga ao que foi empreendido no setor de combustíveis, onde a atuação de facções criminosas está sendo desmantelada, observou Silva ao TELETIME.
O diretor de Operações Integradas e de Inteligência da Senasp também defendeu a integração de forças de segurança de diferentes níveis, além de Ministério Público e Judiciário. “O ideal não é ter só uma instituição de referência, todas têm que ser referência”.
Já a Associação Neo avalia que o combate da Anatel à informalidade no mercado de banda larga vai acabar chegando nas operações criminosas. A entidade também acredita ser possível uma atuação mais firme na camada de Internet, como mecanismos de identificação de IPs utilizados por operações criminosas.
