Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2026

São Paulo produz cerca de 20 mil toneladas de resíduos urbanos, mas reciclagem é muito baixa

Atualmente é considerado resíduo tudo aquilo que é gerado e, mesmo após consumido, possui alguma finalidade. Ao mesmo tempo, o que conhecemos como lixo, chamado de rejeito, diz respeito a todo produto que não possui nenhuma forma de destinação que não seja o descarte. Os resíduos urbanos, que correspondem àqueles gerados e descartados nas áreas da cidade, são de responsabilidade dos municípios brasileiros e constituem um dos grandes problemas da cidade de São Paulo.

Ligadas a outros problemas como drenagem urbana e saneamento básico, a geração e coleta de resíduos são questões que necessitam de atenção do governo da capital paulista. Segundo Marcos Buckeridge, professor do Instituto de Biociências (IB) da USP, a baixa reciclagem no município é um dos grandes agravantes da problemática. “Olhando a cidade atualmente, nós temos uma porcentagem de reciclagem de resíduos sólidos muito baixa. São produzidos, por dia, cerca de 20 mil toneladas de resíduos urbanos.” O docente ainda complementa que mesmo a coleta domiciliar cobrindo quase toda a população a participação na coleta seletiva é muito pequena.

Antigamente, a cidade de São Paulo contava com mais espaços para destinação de resíduos urbanos e rejeitos. Wanda Gunter, professora da Faculdade de Saúde Pública, afirma que havia mais quantidade de zonas de compostagem na capital, o que auxiliava na destinação desses produtos.

Reciclagem e coleta seletiva

A reciclagem é um dos métodos de destinação de resíduos mais difundidos entre a população brasileira. Entretanto, isso não significa que a tarefa esteja sendo realizada de forma adequada. “Hoje nós recuperamos cerca de 3,5% dos resíduos pela coleta seletiva, o que é muito pouco. O método utilizado atualmente, depois de muito recurso e investimento dado a cooperativas, para mim, não funciona. Isso se deve, em sua maioria, porque as pessoas segregam mal os resíduos em casa”, afirma Wanda.

Enquanto em muitos países europeus os resíduos gerados são de total responsabilidade do produtor, aqui no Brasil o cenário é diferente. No País, a responsabilidade é compartilhada ao longo de todo o ciclo de vida do produto, desde o produtor até o consumidor final. Para a professora, esse é um dos grandes problemas atuais da geração e coleta de resíduos. Grande parcela das empresas, que deveriam auxiliar nesse quesito se exime da sua responsabilidade, em meio à má segregação domiciliar.

“Para mim, acho que essa é uma das grandes falhas da nossa política de resíduos. Para as empresas, enquanto não descartarem os resíduos de forma adequada, não terá como reciclá-los. A gente não sabe onde começa a responsabilidade de um ator e termina. No final, tudo fica nas mãos da Prefeitura”, defende Wanda.

Desigualdade intramunicipal
Em uma cidade de grandes dimensões como São Paulo, as iniciativas de coleta de resíduos são diferentes em cada região da cidade. Assim, geralmente, áreas mais periféricas tendem a sofrer mais com a questão. Buckeridge afirma que em uma conversa com moradores da periferia, participantes de um projeto que o docente fez parte, foi relatado que o maior problema na região é a coleta e geração de resíduos. “Eles falaram para mim ‘professor, as crianças brincam no esgoto, o esgoto está a céu aberto.’ Então tem que haver um maior cuidado nessas regiões. Essa discussão é muito importante quando falamos sobre a urbanização das favelas”, diz o professor.

Pensar em medidas conjuntas, que unem os problemas do município como drenagem urbana, saneamento básico e descarte e coleta de resíduos, pode minimizar os impactos causados por eles. Ao buscar resolver uma dessas questões é imperativo que as outras sejam indiretamente ou diretamente impactadas, em caminho à sustentabilidade, de acordo com Buckeridge.

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