Terça-feira, 18 de Agosto de 2026

Rede 5G ainda é subutilizada no Brasil, avalia Claro

Quase cinco anos após o primeiro leilão para rede 5G no Brasil, a tecnologia de quinta geração ainda é subutilizada no País. É o que avaliou a Claro – uma das principais operadoras do setor – durante o evento TELETIME Tec, realizado nesta quinta-feira, 11, em São Paulo.

“O 5G standalone não decolou no Brasil e o mercado de Internet das Coisas não decolou tampouco”, ponderou André Sarcinelli, diretor de tecnologia (CTO) da Claro. “A tecnologia é subutilizada: hoje estamos usando 5G para fazer offload de clientes que antes eram do 4G”.

De acordo com o executivo, a questão não é exclusiva do Brasil. “O mundo inteiro está aquém em 5G standalone, e em redes privativas também”, afirmou Sarcinelli. “A expectativa era ter migrado muito mais clientes para o 5G do que se migrou até hoje”.

No mesmo evento, Fabiano Busnardo, CEO da operadora regional Unifique, fez avaliação similar sobre a evolução da tecnologia. “O 5G ainda não tem relevância na vida das pessoas que ele vai ter em dois ou três anos”, projetou o executivo.

Ondas milimétricas na rede 5G
Um ponto que incomoda a Claro no desenvolvimento da rede 5G envolve as ondas milimétricas – como a faixa de 26 GHz adquirida pelas teles em 2021, mas ainda fora de uso comercial.

“É uma verdadeira vergonha, o mercado fez a aquisição e temos essa capacidade ociosa. A questão é complexa: há uma limitação de terminais e não dá para fazer rede se ninguém vai usar. Os colegas de terminais e chipsets precisam trazer esse mercado para o Brasil”, afirmou Sarcinelli.

Já um segmento onde o uso da tecnologia tem avançado com certo destaque é o de cidades inteligentes (smart cities), ainda que o movimento seja inicial, avalia a Claro.

Outra aposta que começa a sair no papel é o uso do 5G-Advanced – mas por enquanto, para instalação em lugares com alto tráfego, notou o CTO.

Desligar 2G
A necessidade de avançar a rede 5G também convive com a obrigação das operadoras de gerirem a infraestrutura de tecnologias legadas, relevantes no mercado de IoT.

“Por incrível que pareça, ainda há uma grande volumetria de coisas conectadas que vem do 2G. Temos que falar em apagar [a rede de segunda geração], mas não se consegue”, alertou Sarcinelli. “É difícil equacionar a evolução tecnológica e segurar ‘pratinhos’ por todo o lado”.

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