Qualcomm quer trazer racks de inferência ao Brasil
A Qualcomm pretende trazer ao Brasil racks próprios de inteligência artificial voltados principalmente ao processamento de inferência. A intenção foi anunciada nesta quinta-feira, 30, por Luiz Tonisi, presidente da Qualcomm para a América Latina, durante painel sobre data centers, infraestrutura de IA e atração de investimentos do veículo Tech Capital, em São Paulo.
A iniciativa mira a etapa em que modelos já treinados processam dados e executam aplicações. Segundo Tonisi, a companhia está estruturando uma oferta que reunirá software, aceleradores de IA, CPUs e outros componentes necessários à operação dos equipamentos.
“Teremos nossos próprios racks e queremos trazê-los ao Brasil. Estaremos 100% focados em inferência, zero treinamento neste momento”, afirmou.
Brasil chegou atrasado ao treinamento
Eduardo Shuto, diretor de Desenvolvimento Corporativo e Estratégia para a América Latina da Equinix, afirmou que parte dos grandes projetos de treinamento já foi direcionada a outros mercados.
“Para a primeira onda, para o grande treinamento de IA, estamos um pouco atrasados”, declarou. Shuto ponderou, no entanto, que o ciclo de expansão da inteligência artificial ainda está no início e que o país tem tempo para recuperar espaço.
Segundo o executivo, o Brasil dispõe de energia, terrenos, demanda e um ecossistema de data centers estabelecido. O desafio é oferecer previsibilidade suficiente para que os clientes comprometam capital em projetos de longo prazo.
Shuto afirmou que o custo não aparece, neste momento, como a principal barreira apontada pelos clientes da Equinix. A preocupação estaria na segurança de que energia, conectividade, regulação e demais condições estarão disponíveis durante a implantação e a operação dos empreendimentos.
O executivo também citou o Redata, mas afirmou que o regime não deve ser tratado como solução isolada. “Não acho que seja apenas o Redata. Muitas coisas precisam estar no lugar certo”, disse.
Inferência pode dobrar a cada ano
Tonisi avaliou que a inferência deverá representar um mercado maior do que o treinamento de modelos na América Latina. Segundo ele, a região não concentra a criação dos maiores modelos de IA, mas apresenta elevado uso de plataformas digitais e potencial para aplicações empresariais.
“Não acredito que o treinamento será tão grande quanto a inferência na América Latina, porque a economia do treinamento é completamente diferente. Não somos os criadores da tecnologia, mas o uso de tecnologia no Brasil é enorme”, afirmou.
De acordo com as estimativas apresentadas pelo executivo, o mercado brasileiro de inferência pode dobrar anualmente. Tonisi citou aplicações de visão computacional no varejo, agronegócio, óleo e gás e empresas de energia, além de sistemas de automação industrial.
A perspectiva inclui ainda a chamada IA física, que reúne aplicações em veículos, robôs e comunicação entre máquinas. Esses casos de uso exigem capacidade computacional mais próxima do local onde os dados são produzidos, reduzindo o tempo necessário para processar as informações.
Shuto também relacionou a expansão da inferência à necessidade de infraestrutura distribuída. Segundo ele, o processamento precisará estar próximo dos usuários, das empresas, das nuvens, das redes de telecomunicações e dos dados gerados em tempo real.
