Sexta-feira, 9 de Outubro de 2026

Provedores locais concentram 75% da banda larga em Santa Catarina

O segmento de provedores de pequeno porte (PPP) domina 75% do mercado de banda larga de Santa Catarina, em participação que bate a casa dos 90% em algumas regiões do Estado. É o que aponta uma análise sobre a competição no mercado catarinense elaborada pelo Radar da Telecom.

Segundo a plataforma de inteligência de mercado, o mercado de banda larga em SC cresceu 48,5% nos últimos cinco anos, alcançando 3,25 milhões de conexões. Para efeitos de comparação, o mercado do vizinho Rio Grande do Sul cresceu 38% no mesmo período.

“Três em cada quatro desses acessos passam por um provedor regional, não pelas grandes operadoras nacionais. Não por acaso, a maior operadora de banda larga do Estado é a Unifique – um provedor nascido em Timbó que hoje lidera SC”, aponta a análise.

A força dos provedores de pequeno porte é ainda maior na região do Oeste Catarinense, onde a participação alcança 92%. O patamar é similar no Sul Catarinense (90%) e próximo na região Serrana (81%).

Já no Vale do Itajaí, a participação das pequenas empresas totaliza 71%; no Norte Catarinense, 64%; e na Grande Florianópolis, 53%. Mesmo neste caso, as PPPs detêm mais de metade do mercado. Além da Unifique, outros provedores relevantes no mercado catarinense são Vero, Brasil TecPar e Mhnet.

Competição sem folga
Segundo a Radar da Telecom, Santa Catarina possui em média 15,7 provedores por cidade. O cenário de “competição sem folga” fica ainda mais claro quando constatado que nenhum município tem menos de seis provedores de banda larga.

Porém, a presença de vários players nem sempre resulta em mercado equilibrado: a análise aponta que 254 dos 295 municípios de SC são concentrados, com um provedor dominando mesmo com muitos concorrentes. Assim, apenas 41 municípios seriam considerados efetivamente competitivos.

Já as trocas de operadoras ao longo dos últimos cinco anos chamam atenção: desde 2021, um total de 157 municípios tiveram mudança no provedor que aparecia como líder local.

Outro dado importante é que 30% dos provedores que atuavam em Santa Catarina no início da série histórica analisada pela Radar da Telecom não estão mais operando, indicando que “sobreviver é mérito” no ambiente competitivo do Estado.

Resiliência de rede
A recorrência de eventos hidrológicos em SC também afeta o mercado de provedores: entre 2020 e 2025, a Radar da Telecom aponta que 289 dos 295 municípios registraram algum evento climático relacionado à subida de águas.

“A boa notícia é a resiliência da rede: passado o pico, o agregado o estado voltou a crescer, e apenas 26 municípios ainda operam abaixo do número de acessos que tinham antes. A infraestrutura catarinense aprendeu a cair e levantar”, aponta a análise.

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