Sábado, 5 de Setembro de 2026

Prévia da inflação, IPCA-15 tem queda de 0,4% em agosto; energia contribuiu

Bônus de Itaipu reduziu as tarifas de energia elétrica. Variação da inflação acumulada em 12 meses vai a 4,24%. O IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial no País, registrou em agosto queda de 0,4%, a primeira variação negativa do ano, segundo divulgou ontem o IBGE. No acumulado em 12 meses, o índice recuou a 4,24%, abaixo dos 4,52% acumulados até julho e do teto da meta de inflação, de 4,5%. O IPCA-15 havia registrado deflação pela última vez em agosto de 2025, de -0,14%.

O índice foi puxado para baixo principalmente pelo efeito do bônus de Itaipu – uma forma de devolver aos consumidores o dinheiro que sobra da operação da usina hidrelétrica binacional –, que fez a conta de luz ter queda de 6,25% no período entre meados de julho e meados deste mês. O recuo na energia elétrica fez com que o grupo Habitação caísse 1,41% no período, a maior queda entre os grupos que compõem o IPCA-15.

Os dados do IBGE também mostram que o grupo Transportes teve queda de 1% em agosto, com recuos nas passagens aéreas (13,3%) e nos combustíveis (1,43%). Foram registradas ainda quedas no etanol (3,63%), na gasolina (-1,23%) e no óleo diesel (-0,71%), enquanto o gás veicular aumentou 1,42%.

Embora o índice tenha perdido força pelo terceiro mês seguido, a economista Claudia Moreno, do C6 Bank, observa que a composição do indicador exige atenção. “Apesar do alívio no índice cheio, seus núcleos seguem pressionados, o que ajuda a explicar por que levar a inflação de volta para a meta segue sendo um desafio”, disse a economista, que mantém a projeção de 5% para a inflação no ano.

O grupo Alimentação e Bebidas também teve deflação, de 0,57% em agosto, com a redução de 0,97% na alimentação no domicílio, com destaque para as quedas do tomate (-27,38%), da batata-inglesa (-25,14%), da cenoura (-17,05%) e do café moído (-2,31%).

A inflação nos Estados Unidos mostrou pouca mudança em julho e continua distante da meta do Federal Reserve (Fed). Os preços ao consumidor subiram 3,7% em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo o índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês), indicador preferido pelo banco central americano, o Fed, para acompanhar a inflação.

A taxa foi a mesma registrada em junho e permanece bem acima do alvo de 2% ao ano. O núcleo da inflação, que exclui as categorias mais voláteis, como alimentos e energia, avançou 3,3% em 12 meses, também sem alteração em relação ao mês anterior.

Na comparação mensal, o índice cheio subiu 0,2% em julho, depois de uma leve queda em junho. O núcleo também avançou 0,2%. Os dados, divulgados ontem pelo Bureau of Economic Analysis, reforçam o dilema enfrentado pelos dirigentes do Fed diante da próxima reunião.

A inflação acelerou no segundo trimestre, depois que a entrada dos Estados Unidos na guerra com o Irã provocou uma alta global dos preços da energia. Desde então, a pressão diminuiu e os efeitos do petróleo mais caro sobre o restante da economia têm sido limitados, com impacto mais evidente em algumas categorias, como as passagens aéreas.

Esse cenário divide os integrantes do Fed. Parte dos dirigentes avalia que ainda é possível adiar uma alta dos juros, desde que a inflação não volte a acelerar. Outros argumentam que as pressões não se restringem ao setor de energia.

CHIPS MAIS CAROS. O avanço da inteligência artificial tem elevado os preços dos chips, enquanto uma nova guerra comercial com o Canadá ameaça encarecer produtos importados. Os preços do diesel, próximos de níveis recordes, também podem pressionar uma gama mais ampla de bens e serviços.

Pressão Na comparação mensal, o índice subiu 0,2% em julho, depois de uma leve queda em junho

Para esse grupo, após cinco anos de inflação elevada, o banco central precisa agir de forma mais contundente para evitar um desgaste de sua credibilidade.

“Os consumidores não estão em uma situação suficientemente boa para continuar pagando preços mais altos nos postos de combustível e, ao mesmo tempo, manter os gastos em todas as outras categorias”, afirmou Luke Tilley, economista-chefe da empresa de serviços financeiros Wilmington Trust. Na avaliação de Tilley, as empresas terão mais dificuldade para repassar aumentos aos consumidores.

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