Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2025

Participações da China em nuvem e telecom recuam após restrições dos EUA

Os principais fornecedores chineses perderam participação de mercado global no ano passado para muitos produtos analisados pelo “Nikkei Asia” após restrições dos Estados Unidos, mas ganharam em outras áreas onde detinham vantagem de preço.

O “Nikkei Asia” analisou a participação de mercado das cinco maiores empresas globais para 71 produtos e serviços em 2024. A participação total detida por empresas chinesas nessas listas caiu em 15 itens, ante 13 em 2023. Muitas estão em áreas como telecomunicações, onde os Estados Unidos impuseram controles mais rígidos, alegando preocupações com a segurança.

Embora quatro dos cinco principais fabricantes de câmeras de vigilância sejam chineses, sua participação combinada caiu de 52,5% para 49,9%. A principal empresa, a Hikvision, que foi colocada na lista de monitoramento de Washington, perdeu 1,8 ponto percentual.

Em serviços de nuvem, onde as empresas chinesas vinham crescendo, o Alibaba Group Holding, quarto colocado, perdeu 0,7 ponto de participação de mercado, ficando ainda mais atrás do Google, terceiro colocado. A Huawei Technologies, em quinto lugar, também perdeu terreno.

A demanda está em queda no enorme mercado doméstico que sustentou o crescimento de muitas dessas empresas. A participação global da Haier, principal fabricante de refrigeradores, declinou 0,3 ponto, para 22,8%. Em condicionadores de ar residenciais, a participação total entre as empresas chinesas que detêm três das cinco primeiras posições recuou para 51,8%, com quedas para Midea e Gree Electric Appliances.

Desde 2021, a China enfrenta uma crise no mercado imobiliário, que, juntamente com setores relacionados, gera cerca de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Isso prejudica não apenas as vendas de produtos como eletrodomésticos, mas também a economia em geral.

Consumidores chineses agora menos propensos a gastar prejudicaram a participação de mercado global da China Resources Beer. A terceira maior cervejaria do mundo perdeu 0,2 ponto percentual, para 5,2%, ficando ainda mais abaixo da Heineken.

“Com base em suas rendas e na situação econômica, os consumidores chineses passaram a consumir dentro de suas possibilidades — comprando apenas o que precisam, nas quantidades necessárias”, disse Naotaka Sonoda, economista sênior da PwC.

Mas as empresas chinesas também ganharam participação de mercado em 24 itens no ano passado — ante 21 em 2023 — principalmente em áreas onde são especialmente competitivas em termos de preço. Isso inclui veículos elétricos, onde a participação combinada das três principais empresas chinesas ultrapassou 30%. Enquanto a participação da líder de mercado Tesla caiu 2,3 pontos, para 16,1%, a da BYD ganhou 0,8 ponto, para 15,3%.

A fabricante de smartphones Transsion, que conquistou espaço em regiões como a África com sua marca Tecno, ganhou destaque nesse setor ao lado da compatriota Xiaomi. Tim Chuah, gerente sênior de insights globais para eletrodomésticos da Euromonitor, afirmou que as marcas chinesas são altamente competitivas em termos de preço e estão cada vez mais populares no Sul Global, incluindo a América Latina.

Com os Estados Unidos continuando a pressionar a China com tarifas e outras medidas, a queda no mercado doméstico deve continuar.

“Embora haja áreas onde isso será compensado pela expansão da participação de mercado em economias emergentes, a demanda doméstica na China está bastante fraca”, disse Sonoda. “Com os subsídios governamentais prestes a expirar, a participação de mercado dos players chineses pode encolher ainda mais.”

As empresas americanas detinham a maior participação de mercado em 27 dos 71 itens examinados, um a mais do que em 2023. A China também aumentou em um, para 18.

 

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