Domingo, 18 de Janeiro de 2026

Para Ericsson, 5G Standalone começa a mostrar atributos concretos no Brasil

O Brasil se destaca globalmente na implementação do 5G, especialmente por ter adotado o 5G Standalone (SA) desde o início, conforme exigido pelo edital de 2021. Essa abordagem pioneira posicionou o país na vanguarda da tecnologia, permitindo o desenvolvimento de funcionalidades avançadas que outros mercados ainda buscam.

Em entrevista ao TELETIME em Destaque, programa da canal TELETIME Live no Youtube, Vinícius Dalben, vice-presidente de negócios da Ericsson, ressalta analisou o atual cenário do 5G no país e a evolução da tecnologia até aqui, e projetou os próximos pontos de evolução na tecnologia, nos serviços e na monetização da quinta geração.

Ele aponta que o Brasil tem, por conta da adoção do padrão standalone desde o início, uma posição única. Enquanto o NSA é visto como um “4G super amplificado”, utilizando a infraestrutura existente para oferecer maior velocidade, o SA opera com um novo núcleo de rede, o que possibilita a diferenciação de serviços. Dalben explica que “no 5G standalone, a gente tem, de fato, uma nova rede e uma diferenciação de serviços”.

Para muitos serviços, a velocidade pura é secundária; o que importa é a constância e a garantia de qualidade para aplicações críticas . O desafio atual é massificar essa tecnologia, pois “o que é fundamental é a gente massificar, de fato, a base de clientes em stand-alone para poder ter uma base sensível de clientes para essa oferta” .

Segundo ele, a monetização do 5G SA passa pela oferta de novos modelos de negócio, especialmente no mercado corporativo. O conceito de “use places”, que foca em áreas específicas de alta demanda como eventos, tem sido crucial para a implementação inicial. Além disso, diz ele, o Fixed Wireless Access (FWA) surge como uma oportunidade, particularmente para redundância em redes B2B. Dalben observa que “encaixar o FWA com essa visão de redundância, é uma boa abordagem, entendendo a natureza do mercado de fibra brasileiro” .

Futuro com IA
Olhando para o futuro, diz ele, a Inteligência Artificial (IA) promete ser um dos maiores impulsionadores da demanda por redes 5G. “A gente tem uma entrada agora que a gente vai começar a conectar coisas, essas coisas não são coisas físicas, são agentes AI. Que tem uma geração de demanda muito maior do que conectar um dispositivo de leitura, um dispositivo de biometria ou algo do estilo” , afirma Dalben. Essa nova demanda, especialmente no uplink, será massiva, com uma aplicação de IA podendo exigir “um uplink de 8 a 10 vezes superior ao que a gente tinha originalmente”, o que, segundo ele, pode ser um problema para as redes e algo que demanda a atenção das operadoras.

Para lidar com essa complexidade e demanda crescente, as redes precisarão ser mais inteligentes e programáveis. A adoção de APIs abertas, como o Open Gateway, é fundamental para escalar a inovação e permitir que desenvolvedores criem novas aplicações e serviços, diz. Dalben enfatiza que “isso é um jogo de escala” , e que a lógica é “parar de debater quem fica com o maior pedaço do bolo, mas criar um bolo maior para todos” , promovendo um ecossistema mais colaborativo e inovador.

Para ele, a evolução do 5G no Brasil para 2026 dependerá da massificação do 5G standalone, da ampliação do uso de diferentes bandas de frequência e da abertura da arquitetura da rede. “Acho que é isso, é massificar o standalone, ampliar, é ganho de escala, massificar o standalone, ampliar bandas que vão para o 5G e não ficar só na banda de 3,5 GHz e abrir a arquitetura da rede para que você tenha uma multitude de desenvolvedores com aplicações tanto para a inteligência da rede como para os serviços que vão rodar em cima dessa mesma rede” , conclui Vinícius Dalben.

A íntegra da entrevista você pode assistir aqui:

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