Operadoras integram streaming à conectividade para conter evasão e ampliar receitas
A integração de plataformas de vídeo aos serviços de banda larga consolidou-se como estratégia do mercado para a retenção de clientes e a expansão comercial. O cenário de distribuição no País foi debatido nesta terça, 5, em painel no Brasil Streaming 2026.
Executivos da Vero, Globo, Celetihub e Claro detalharam os desafios técnicos, as táticas de visibilidade em aplicativos e as negociações envolvidas na formatação dos pacotes conjuntos. A Vero, por exemplo, incluiu os serviços Max, Paramount e Pluto TV em seu portfólio, o que complementou a oferta iniciada com a Globo no ano de 2021.
O diretor executivo de Negócios B2C da Vero, José Carlos Rocha, informou que os pacotes compostos por banda larga, telefonia móvel e acessos às plataformas Globoplay e HBO já correspondem a 40% das vendas no primeiro trimestre. A estratégia abrange o conteúdo linear tradicional por meio do aplicativo Vero Vídeo, que opera com mais de 74 canais.
Segundo ele, a sustentação da operação para o consumidor exige resposta rápida do suporte técnico. A empresa relata um índice de resolução no primeiro atendimento, identificado pela sigla FCR, de 98%, estrutura ancorada em 200 lojas físicas. Rocha ressalta que as falhas de maior complexidade demandam acordos de nível de serviço rigorosos com as plataformas fornecedoras.
Visibilidade e engajamento
A gestão da experiência do usuário dentro das plataformas de agregação envolve o monitoramento da utilização para garantir a percepção de valor.
O diretor de Conteúdo da Claro, Fernando Magalhães, explicou que a operadora realiza reuniões trimestrais, chamadas QBR, com os parceiros de streaming para alinhar os próximos lançamentos com as estratégias de promoção. Devido à dificuldade de rastrear o consumo individual dentro de aplicativos de terceiros sem a liberação de metadados, a Claro foca na recomendação ativa dentro de sua interface.
A intenção é evitar que o cliente pague por um serviço que não consome, o que elevaria o risco de cancelamento. “Não queremos ter assinantes de Apple TV que não assistam aos principais shows da Apple. Trabalhamos para dar visibilidade na plataforma e recomendação”, afirmou Magalhães. Essa lógica de curadoria busca ocupar a atenção do assinante no longo prazo dentro do ecossistema da operadora.
Segundo o executivo, a Claro constatou que o foco na base de novos assinantes gera maior adesão. No ato da ativação de um novo pacote, o cliente tem maior motivação para realizar o processo de autenticação e utilizar os serviços. A contratação conjunta bloqueia o comportamento de cancelamento habitual após o consumo de uma obra específica.
Capilaridade e audiência
O mapeamento de novos canais de distribuição da Globo identificou regiões com margem de crescimento de assinaturas, como o interior de São Paulo/SP, o estado de Santa Catarina e as regiões Norte e Centro-Oeste.
A gerente sênior de Parcerias Estratégicas da Globo, Ranira Camelo, destacou a efetivação de parcerias com o comércio eletrônico Shopee, a plataforma Méliuz e bancos tradicionais.
As instituições financeiras buscam oferecer vantagens não financeiras aos correntistas para reter o fluxo de caixa afetado pela concorrência dos bancos digitais. O modelo de venda intermediada permite alcançar consumidores com diferentes perfis econômicos, a exemplo do pagamento de faturas em lojas físicas, prática reportada como majoritária na região Nordeste.
O acompanhamento de dados das plataformas norteia o trabalho das operadoras para evidenciar o conteúdo ao assinante. A Globo relatou picos de acesso simultâneo gerados por campanhas promocionais, como o “Globoplay day”, transmissões ao vivo do show da cantora Shakira e o volume elevado de consumo das novelas da TV Globo sob demanda no dia seguinte à transmissão.
Disputa pelo conteúdo
A distribuição de vídeos por provedores regionais exige estabilidade de rede em locais distantes dos grandes centros. O CMO da Celetihub, Fábio Moreira, avaliou que a busca por direitos de transmissão, em especial de esportes ao vivo, gera concorrência acirrada.
“Existe hoje uma guerra pela atenção”, definiu Moreira. A distribuidora foca na oferta estabelecida como padrão pelo provedor de Internet no ato da venda ao usuário final.
A viabilidade técnica dessa entrega impõe aos parceiros o treinamento para o uso de redes de distribuição de conteúdo, agrupadas sob a sigla CDN. A adoção da CDN é necessária para anular atrasos de sinal durante a exibição de canais ao vivo em estados com dimensões continentais, como o Pará.
O avanço de novos formatos, como os canais financiados por publicidade, identificados como Fast, continua dependente da definição de obrigações regulatórias e cotas de programação, a fim de equiparar a legislação aplicável aos modelos tradicionais de televisão por assinatura.
