Sábado, 17 de Janeiro de 2026

Operadoras demandam política para economia circular de equipamentos

As operadoras de telecomunicações representadas pela Conexis Brasil Digital têm se voltado cada vez mais para questões relativas à economia circular e ao descarte adequado do lixo eletrônico (e-waste), mas acreditam que o tema ainda tem sido deixado de lado por políticas públicas de sustentabilidade.

O aspecto foi destacado por Daniela Martins, diretora de relações institucionais, governamentais e de comunicação da entidade que representa as principais teles do País. Ela participou nesta quinta-feira, 21, do evento Amazon On, realizado em Manaus.

“O lixo eletrônico talvez seja um dos principais ativos que ainda não está sendo endereçado em políticas públicas de forma tão atenta. A poluição desses itens não apenas merece grande atenção, mas também nos permitiu ver que é possível retorná-los à cadeia”, destacou Martins.

As operadoras do setor, vale lembrar, têm desempenhado um papel ativo há mais de uma década para estimular o melhor encaminhamento do e-waste. Hoje, grande parte das lojas das empresas oferecem pontos de descarte de lixo eletrônico, ao passo que as empresas também reutilizam equipamentos como modems.

Contudo, a centralização dos programas de reciclagem é um desafio de política pública, sobretudo em nível federal e estadual. O descarte correto do lixo eletrônico é crucial, pois evita uma contaminação agressiva das águas e dos solos, pontuou a executiva.

Telecom e sustentabilidade no Brasil
A Conexis também reforçou o papel da tecnologia no combate às mudanças climáticas, usando a inteligência artificial e o monitoramento via redes de telecomunicações para otimizar esforços ambientais. A avaliação é que as redes, historicamente vistas apenas como meios de conexão, estão assumindo um papel cada vez mais estratégico no Brasil.

Dessa forma, o setor passa a ser reconhecido como parte essencial da infraestrutura crítica, com impacto direto não apenas na comunicação, mas também em questões socioambientais e de resiliência climática: o consenso entre agentes públicos, setor privado e organismos multilaterais é que a conectividade ultrapassou a função de suporte técnico, sendo reconhecida como infraestrutura vital para salvar vidas, promover inclusão social e impulsionar práticas sustentáveis.

Em parceria com a Anatel e o Governo Federal, por exemplo, a Conexis atua para aprimorar os alertas de desastres com o sistema Defesa Civil Alerta (Cell Broadcast), já implementado nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste e que deve ser ampliado de forma nacional ainda em 2025.

A entidade também destaca o uso do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) para levar Internet a escolas, especialmente no Norte e Nordeste, e para auxiliar provedores em áreas afetadas por eventos climáticos, como as enchentes.

Meta de escopo 3
Para Larissa Jales, gerente de políticas públicas da GSMA no Brasil, o setor de telecomunicações é, globalmente, uma indústria fortemente comprometida com as metas de sustentabilidade, mas ainda existe um grande desafio, que é conseguir ampliar práticas e ações voltadas à redução de carbono e práticas sustentáveis em geral para toda a cadeia, para o atingimento do escopo 3.

(Colaborou Henrique Julião, que viajou para Manaus convidado pelo Amazon On)

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