Terça-feira, 16 de Dezembro de 2025

Operadoras cobram escala, segurança jurídica e qualificação em IA

No primeiro dia do Painel Telebrasil, 2, ao representar o governo, MDIC e MCom detalharam eixos de políticas para infraestrutura digital, como data centers e cabos, enquanto as telcos, representadas pela Vivo e TIM, apontaram urgências práticas para viabilizar casos de uso de IA nas empresas. Palestrantes discutiram se o Brasil está preparado para a era da inteligência artificial.

O governo federal apresentou as prioridades de políticas para infraestrutura de dados — com destaque para data centers e cabos submarinos —, ao passo que executivas de Vivo e TIM listaram as condições de contorno para transformar tais diretrizes em adoção efetiva: escala de dispositivos, segurança jurídica, capacitação e eficiência operacional.

Políticas do governo: data centers, cabos e inclusão
Cristiane Vianna Rauen, diretora do Departamento de Transformação Digital e Inovação do MDIC, afirmou que a Política Nacional de Data Centers está sendo gestada em plataforma interministerial sob coordenação da Casa Civil. O objetivo central é atrair capacidade de processamento e aliviar o capex por meio de um regime fiscal voltado a componentes e equipamentos de TIC, compensando a diferença de custo no Brasil. Segundo ela, a infraestrutura de energia do país é um atrativo, mas “os equipamentos de processamento podem custar de 70% a 80% do valor de um data center”, e são mais caros no contexto brasileiro; a política pretende “reduzir esses custos, tanto de importação quanto de fabricação”.

Rauen também situou a política no guarda-chuva do CIT Digital, por meio da Câmara Técnica da Economia Digital (CTED), que acompanha e integra iniciativas como Plano de IoT e 5G. Entre as novidades, anunciou a formulação da Política Nacional da Economia de Dados (PNED), voltada a dar segurança jurídica para acesso, portabilidade e interoperabilidade de dados não pessoais (e pessoais anonimizados), de modo a destravar seu uso estratégico pela indústria.

Pelo MCom, Hermano Tercius, secretário de Telecomunicações, disse que a Pasta atua no eixo de conectividade da política de data centers, com ênfase na distribuição territorial de edge data centers para racionalizar tráfego e melhorar desempenho das redes. Ele citou tomada de subsídios aberta para receber contribuições sobre o tema e destacou a Política Nacional de Cabos Submarinos, que busca descentralizar pontos de chegada hoje concentrados em poucas cidades.

Tercius elencou ainda iniciativas recentes: conectividade em rodovias e o Plano Nacional de Inclusão Digital, criado para mapear lacunas, definir metas e fontes de recursos. Para reduzir a fragmentação entre mais de dez órgãos com programas digitais, o governo reativou o CIT Digital e estruturou câmaras temáticas com participação pública e privada.

O secretário também defendeu a vedação ao contingenciamento de fundos setoriais como o FUST e o Funttel para viabilizar incentivos, afirmando ser “muito difícil” implementar políticas de difusão de infraestrutura sem recursos.

Escala, segurança e mão de obra
Do lado privado, Débora Bortolasi, VP B2B da Vivo, frisou que infraestrutura de telecom é base para qualquer agenda de IA. A operadora estruturou uma plataforma que vai além da conectividade — 5G e fibra — para serviços de dados, gestão de redes e soluções de IA. Ela apontou três travas recorrentes à democratização:

Segurança jurídica e políticas de incentivo coerentes para acelerar a adoção;
Custo de devices — “com a tecnologia 5G disponível, os devices ainda são caros”;
Letramento digital e formação técnica: apesar de o Brasil estar entre as populações mais online, faltam capacidades em dados, cibersegurança e IA em empresas e governo.
Auana Mattar, CIO da TIM, descreveu a trajetória da companhia desde 2016 em big data, nuvem e 5G, com uso crescente de serviços cognitivos no atendimento e na operação de rede. Para o horizonte próximo, ela fala em evolução — não “revolução” — focada em eficiência, automação e ganhos de produtividade. Entre os desafios, citou FinOps, ética de dados e cibersegurança, além do caráter CAPEX-intensivo do setor: para que telcos atuem como catalisadoras de novos negócios na economia de dados, será preciso escala, parcerias intersetoriais e ambiente regulatório estável.

Governo e setor privado convergem na direção de data centers distribuídos, cabos submarinos mais capilarizados e inclusão digital orientada por metas. Divergem no tempo de entrega: enquanto políticas estruturantes avançam por meio de tomadas de subsídios e câmaras técnicas, as operadoras pressionam por medidas imediatas que barateiem equipamentos, destravem dispositivos 5G, garantam segurança jurídica sobre dados e qualificação da força de trabalho.

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