Oi espera benefício de R$ 2,6 bilhões com aditamento de plano
Esperando aval da Justiça para realizar um aditamento de seu plano de recuperação judicial aprovado em 2024, a Oi projeta um reforço de caixa de até R$ 2,6 bilhões em economias caso as mudanças sejam aprovadas por credores.
A cifra foi comentada nesta sexta-feira, 5, durante conferência sobre resultados da empresa do terceiro trimestre. A reunião foi liderada pelo diretor financeiro (CFO) da Oi, Rodrigo Aguiar.
“As ações propostas [no aditamento] incluem a repactuação de credores pontuais, a exemplo dos credores classe I [trabalhistas], fornecedores parceiros e Take or Pay, com novas condições de pagamento que podem gerar para um reforço de caixa de 2,6 bilhões de reais para a Oi”, declarou o executivo.
As mudanças no plano propostas pela empresa, vale lembrar, também incluem a adesão de credores extraconcursais nas negociações, mudanças na distribuição de recursos provenientes da vendas de imóveis e a possibilidade de utilização pela Oi de depósitos recursais vinculados à ações trabalhistas.
Segundo afirmou Aguiar na conferência de resultados, as ações visam preservar o caixa da Oi a partir do alongamento e repactuação de obrigações, após a não concretização de premissas importantes do plano de recuperação judicial aprovado em 2024.
A empresa encerrou o segundo trimestre (em junho) com R$ 1,15 bilhão em caixa, uma queda de R$ 300 milhões (-21%) em relação ao fim do primeiro trimestre. O que impediu queima maior foi a venda pela Oi de ativos não core (como imóveis) e negociações pontuais com credores extraconcursais.
A estratégia segue em curso: segundo Rodrigo Aguiar, no início do terceiro trimestre houve uma entrada de caixa de R$ 97 milhões relativos à cessão de créditos atrelados a um processo de desapropriação do imóvel na avenida Afonso Pena, em Belo Horizonte.
Obrigações
Como já apontou a Justiça, a Oi deixou recentemente de honrar certas obrigações previstas no plano de recuperação judicial – e que agora se encontram suspensas, até a avaliação do mérito da proposta de aditamento.
Segundo afirmou a V.tal em meio à disputa judicial travada com a tele, a Oi também deixou de pagar desde fevereiro uma série de obrigações com dezenas de distribuidoras de energia pelo País, o que teria motivado desligamento de circuitos de transmissão de dados.
“A gestão de caixa tem sido um grande desafio nesse momento de transformação”, declarou Rodrigo Aguiar na conferência desta sexta, sem abordar diretamente tais temas. “Estamos em constante diálogo com credores e fornecedores, buscando soluções que permitam endereçar o funding gap [lacuna de financiamento] ainda presente ao longo de 2025”, completou.
Modelo
Comercialmente, a aposta da Oi é deixar para trás um modelo baseado em ativos fixos e legados, migrando para um modelo asset-light, com estrutura de custos compatível com a realidade presente do grupo.
O foco é o atendimento de clientes corporativos por meio das unidades Oi Soluções, Serede, Tahto e Oi Services. A empresa, contudo, também tem atravessado disputas com fornecedores na Justiça que podem colocar em risco a continuidade da prestação de serviços, inclusive para órgãos públicos.
