Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2025

O futuro da energia

Que tal uma empresa de energia com quase 8 milhões de clientes, que usa inteligência artificial em tempo real, ajustar os preços dinamicamente e entregar um atendimento fantástico às pessoas? Essa empresa existe. Ela se chama Octopus Energy e está transformando essa indústria no Reino Unido e no mundo.

Passei cinco dias numa imersão pela Europa visitando negócios que estão desafiando as tradicionais regras do setor elétrico. Conversamos com Greg Jackson, fundador da Octopus. Ele é como o Steve Jobs da energia, e a Octopus é a Apple do segmento. Seu modelo é único: operação digital, cultura centrada no cliente, atendimento veloz e uma IA que processa bilhões de dados para prever demanda, equilibrar a rede e reduzir os custos. Resultado: faturas mais baratas, mais justas e mais transparentes.

Por trás disso está a Kraken, plataforma que gerencia milhões de contas, já licenciada em 12 países e que impacta 54 milhões de clientes globalmente. Ela conecta usinas, consumidores, baterias, carros elétricos e algoritmos de precificação numa lógica digital única. Mais do que um software, a Kraken é o cérebro do novo sistema elétrico, capaz de transformar um recurso invisível numa experiência personalizada, fluida e inteligente. É como se a energia deixasse de ser infraestrutura e se tornasse um produto de tecnologia.

O diferencial do setor não será o megawatt, mas a inteligência por trás dele

Mas não foi só a Octopus que impressionou. Para a Statkraft, maior geradora renovável da Europa, quem ainda vê energia como commodity está preso no passado.

A principal vantagem competitiva do setor não será o megawatt, mas a inteligência por trás dele. Na National Grid, responsável pelas linhas de transmissão no Reino Unido, blockchain e IA já operam a rede em tempo real. Para a Climate First, fundo de venture capital focado em energia, o setor está pronto para viver um novo momento Netflix vs Blockbuster. E da conversa com a BNetzA, o órgão regulador alemão, veio a frase que melhor resume tudo o que vi: “A próxima revolução energética não será física… Será lógica”. Ou seja: o futuro do setor não será construído com concreto, mas com dados, algoritmos e plataformas digitais.

No Brasil, apesar de essa indústria ainda ser pouco transparente e muito engessada, ela está mudando. A verdade é que o sistema elétrico dos próximos anos não funcionará com as regras existentes até aqui. E como disse Greg Jackson, energia é o próximo setor a ser dominado por quem souber usar dados. Quem ainda acha que ela é só geração e fio, vai ficar para trás.

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