Número de empresas de reciclagem quase dobra em MT e setor já fatura milhões ao ano
O número de empresas de reciclagem em Mato Grosso praticamente dobrou nos últimos seis anos. Segundo dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-MT), o estado passou de 262 negócios ligados ao setor em 2020 para 522 atualmente, crescimento que reforça a expansão da cadeia da reciclagem e da economia circular no estado.
O avanço acompanha uma tendência nacional de fortalecimento do setor. De acordo com o Anuário da Reciclagem 2025, elaborado pelo Instituto Caminhos Sustentáveis, o Brasil chegou a 3.097 organizações de catadoras e catadores em 2024, distribuídas pelos 26 estados e pelo Distrito Federal. O número representa alta de 2,23% em relação ao ano anterior.
Em Mato Grosso, o anuário mostra que o número de organizações de catadores também cresceu. O estado saiu de 34 organizações identificadas em 2019 para 60 em 2024, uma variação acumulada de 76% no período.
Além do crescimento em quantidade, a atividade movimenta recursos. Conforme o levantamento, as organizações de catadoras e catadores de Mato Grosso faturaram R$ 24 milhões em 2024 com a comercialização de resíduos recicláveis. No Centro-Oeste, o faturamento total chegou a R$ 187,6 milhões.
O estudo também aponta que Mato Grosso destinou à reciclagem materiais como papel, plástico, alumínio e vidro. No estado, os maiores volumes registrados foram de vidro, com 10,7 mil toneladas, e plástico, com 9,5 mil toneladas. O papel aparece em seguida, com 6,6 mil toneladas, e o alumínio com 1,7 mil tonelada.
No cenário nacional, a reciclagem feita por organizações de catadores movimentou R$ 2,07 bilhões em 2024. Ao todo, foram 2,03 milhões de toneladas de materiais coletados e destinados à reciclagem no país. O plástico foi o principal material encaminhado para reaproveitamento, com 42% do total, seguido por papel, vidro, alumínio e outros metais.
O impacto ambiental também é destacado no anuário. A reciclagem realizada pelas organizações de catadores evitou a emissão de 1,83 milhão de toneladas de CO₂ equivalente em 2024. O levantamento aponta ainda economia de recursos naturais, como mais de 11,4 milhões de árvores preservadas e 16,7 bilhões de litros de água poupados com a reciclagem de papel.
Apesar do avanço, o setor ainda enfrenta desafios. Em Mato Grosso, 36 municípios têm organizações de catadores identificadas no levantamento, mas apenas 20 contam com coleta seletiva associada a essas organizações, o que representa 56% de incidência.
Para o Sebrae-MT, o crescimento no número de empresas mostra que a reciclagem tem deixado de ser vista apenas como uma prática ambiental e passa a ganhar espaço como oportunidade de negócio, geração de renda e fortalecimento da sustentabilidade nos municípios.
