Segunda-feira, 15 de Junho de 2026

Novatas buscam parceria com teles já estabelecidas

Para explorar no Brasil o nascente negócio direct to device, ou D2D, que oferece internet rápida diretamente nos celulares, as duas empresas que já se candidataram ao sistema – as americanas AST Space Mobile e Starlink – adotaram modelo de negócios baseado em parceria com operadoras locais para oferta dos planos aos consumidores finais. A estratégia é complementar a oferta de internet móvel em áreas com pouca cobertura e não competir diretamente com as teles tradicionais.

A AST abriu escritório em São Paulo no ano passado e procura firmar parcerias até o início do próximo ano, disse o chefe de Assuntos Internacionais e Regulatórios da AST, Rodrigo Gebrim. “Já conseguimos a autorização da Anatel, que foi um passo muito importante. E agora temos muitas conversas em andamento com as operadoras.”

Nos EUA, a AST tem acordos com AT&T e Verizon, e na Europa trabalha com a Vodafone. Essas operadoras enxergam tanto potencial no negócio que entraram no seu quadro de acionistas. A AST espera chegar a 45 satélites em órbita até dezembro, e atingir 90 até o final de 2027, contou Gebrim. Isso permitirá uma cobertura global, sem interrupções, o que viabilizará o lançamento dos planos comerciais de internet.

“Esse é um setor muito importante. Olha o tamanho do Brasil. É impossível você levar cobertura para todo o País, considerando a sua extensão”, afirmou o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Carlos Baigorri. “Sem dúvida nenhuma, o D2D é uma solução fenomenal para resolver o problema da conectividade.”

A opinião é compartilhada pelo diretor de Políticas Regulatórias do Ministério das Comunicações, Juliano Stanzani, que vê potencial para a internet por satélites chegar a comunidades remotas, além de ser usada em políticas de conectividade para órgãos públicos, aplicações militares, segurança civil e rodovias federais, por exemplo. “A preocupação central do governo é a inclusão digital. Estamos olhando oportunidades de uso do D2D para alcançarmos padrões mais altos de conectividade”, afirmou.

Para Stanzani, estimular a concorrência no D2D é uma forma de dar mais segurança ao setor público. “Quando falamos em soberania digital, uma opção é a multilateralidade de ofertas.

Compartilhe: