Sábado, 15 de Agosto de 2026

Nova técnica de combustão viabiliza motores alimentados por amônia

Nova técnica de combustão viabiliza amônia como combustível em grandes motores

Diagrama esquemático do  motor experimental alimentado por amônia.
[Imagem: Rui Yang et al. – 10.1007/s11708-026-1065-1]

Motor a amônia

Engenheiros da Suécia e da China desenvolveram uma tecnologia que permite usar amônia no lugar de combustíveis como gasolina, etanol ou diesel nos motores de combustão interna.

Rui Yang e colegas das universidades de Tianjin e Lund desenvolveram um método de ignição por compressão de atmosfera térmica que permite a queima estável e limpa da amônia, contornando assim as propriedades desfavoráveis quando o composto é usado como combustível – a baixa velocidade de chama e a alta resistência à ignição – que até agora impediam sua aplicação prática.

A tecnologia permitiu alcançar mais de 80% de substituição dos combustíveis fósseis por amônia, com mais de 70% de redução dos gases de efeito estufa em condições reais, com os motores sob carga.

A amônia verde é considerada um dos combustíveis líquidos livres de carbono mais promissores para descarbonizar o setor de transporte, especialmente a indústria de navegação. No entanto, as técnicas tradicionais de combustão apresentam deslizamento severo de combustível não queimado, baixa eficiência e emissões elevadas de óxido nitroso (N2O), um gás de efeito estufa quase 300 vezes mais potente do que o dióxido de carbono (CO2).

“Ao domar o processo por meio da mistura ar-combustível, em vez de depender exclusivamente da propagação da chama, a combustão por difusão supera eficazmente a baixa taxa de queima da amônia,” explicaram os pesquisadores. “Além disso, as condições locais de combustão rica inerentes a esse modo de difusão facilitam naturalmente a redução não catalítica seletiva de óxidos de nitrogênio (NOx), o que minimiza intrinsecamente a formação de poluentes nocivos.”

Combustão por difusão

O novo modo de ignição utiliza uma estratégia de combustão em múltiplos estágios. Primeiro, um combustível altamente reativo e volátil (n-heptano) é introduzido na admissão e sofre ignição por compressão de carga homogênea dentro do cilindro, criando uma “atmosfera térmica” altamente ativa – caracterizada por temperatura elevada, aumento da pressão e abundância de radicais químicos reativos.

A amônia líquida é então injetada sob alta pressão nesse ambiente pré-ativado, desencadeando autoignição instantânea e estabelecendo uma chama de difusão estável.

A combustão por difusão (em que o processo é dominado pela mistura combustível-ar, em vez de depender apenas da propagação da chama) supera a baixa taxa de queima da amônia. Além disso, a mistura rica desse modo de difusão facilita naturalmente a redução seletiva não catalítica dos óxidos de nitrogênio, minimizando a formação de poluentes.

A equipe descobriu que, para alcançar a queima estável, é necessária uma temperatura interna do cilindro de aproximadamente 1.200 ºC, o que supera o forte efeito de resfriamento causado pela alta entalpia de vaporização da amônia durante a evaporação para vaporização do combustível. Embora seja uma temperatura elevada demais para automóveis e caminhões, ela é perfeitamente exequível para navios, locomotivas e usinas termoelétricas.

Os pesquisadores afirmam que o sistema mantém uma eficiência térmica excepcionalmente alta, o que marca um avanço crítico para trazer motores de combustão interna de carbono zero da pesquisa teórica para a realidade comercial prática.

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