Nos Estados Unidos, SpaceX pede aval para 100 mil novos satélites
A SpaceX solicitou à Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) autorização para implantar uma constelação de até 100 mil satélites de baixa órbita para a terceira geração do sistema (Gen3), em um projeto para ampliar a capacidade prevista para a rede Starlink.
À reguladora norte-americana, a companhia argumentou que a nova infraestrutura será necessária para atender à crescente demanda gerada por aplicações baseadas em inteligência artificial (IA).
Na petição, apresentada no dia 6 de julho, a empresa afirma que a terceira geração do sistema será voltada a oferecer conectividade “simétrica de múltiplos gigabits” com baixa latência para consumidores, empresas, governos e dispositivos equipados IA.
“A IA exige uma enorme capacidade de uplink para suportar dados espaciais e auditivos de alta definição, necessários para a tomada de decisões em tempo real e a automação industrial”, disse a SpaceX.
A companhia liderada por Elon Musk argumentou ainda que, sem essa capacidade, “os Estados Unidos não conseguirão competir na revolução da IA”.
Espectro
Para atender esse cenário, a empresa propõe ampliar a infraestrutura de backhaul e utilizar novas faixas de espectro. Isso inclui as bandas W e D, entre 92 GHz e 275 GHz.
Além das bandas Ku, Ka, V e E já utilizadas pela Starlink, a SpaceX pediu autorização para que a Gen3 possa operar em frequências que ainda não possuem “alocação formal para serviços via satélite” nos Estados Unidos. Além disso, a companhia solicitou à FCC dispensas regulatórias para utilização dessas faixas em caráter não interferente.
O projeto também prevê mudanças na arquitetura orbital da constelação. Os satélites vão ficar ainda mais próximos da Terra: com altitudes nominais entre 323 e 327,5 quilômetros e entre 473 e 477,5 quilômetros.
Segundo a empresa, essa configuração permitirá reduzir a latência, aumentar a capacidade agregada da rede e manter dezenas de satélites visíveis simultaneamente a partir de qualquer ponto da Terra.
SpaceX e IA
O pedido da Gen3 faz parte da estratégia adotada pela SpaceX ao longo de 2026, que passou a apresentar a infraestrutura orbital da Starlink não apenas como uma rede de banda larga via satélite, mas como uma plataforma para aplicações de IA em escala global.
A estratégia aparece tanto nas comunicações aos investidores quanto em petições regulatórias, nas quais a inteligência artificial deixa de ser uma aplicação adicional e passa a justificar a expansão da capacidade da rede.
Essa estratégia ganhou força após a abertura de capital da empresa, quando a SpaceX passou a enfatizar seu papel como provedora de infraestrutura para IA.
Em fevereiro deste ano, por exemplo, a companhia protocolou na FCC um pedido (que não se confunde com o feito nesta semana) para implantar uma constelação de até 1 milhão de satélites, destinada a funcionar como uma rede distribuída de processamento de dados e data centers em órbita.
