Natal deve impulsionar importações de eletrônicos, brinquedos e bebidas
O aquecimento do consumo para o Natal está novamente estimulando a importação de itens sensíveis ao dólar, como eletrônicos, brinquedos e bebidas. A previsão da Confederação Nacional do Comércio (CNC) de R$ 69,75 bilhões em vendas natalinas em 2024, sugere que a demanda para o fim de 2025 será firme.
Os sinais de recomposição de estoques já são visíveis. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), as importações do setor cresceram 13,6% no acumulado de janeiro e fevereiro de 2025, totalizando US$ 8,6 bilhões. Esse movimento é esperado, antecipando a Black Friday e o Natal.
No setor infantil, a compra externa de brinquedos historicamente acelera de julho a outubro. Em 2024, o Brasil importou mais de US$ 640 milhões no ano, com 80% do volume vindo da China. O mercado de bebidas premium, como vinhos e espumantes, também aponta retomada das importações no primeiro semestre de 2025, apesar da oscilação cambial.
Câmbio e planejamento são cruciais
Embora a taxa de câmbio tenha aliviado desde o pico do início do ano, ela segue volátil, com o dólar PTAX fechando setembro de 2025 em R$ 5,319. Esse patamar ainda pressiona as cadeias com alto conteúdo importado.
O que deve liderar as compras externas de Natal:
• Eletrônicos e gadgets (smartphones, wearables, áudio e consoles).
• Brinquedos (linha licenciada e interativa), com compras concentradas no terceiro trimestre.
• Bebidas importadas (vinhos, espumantes e destilados), com foco em sortimento premium.
Para Thiago Oliveira, CEO da Saygo (Instagram da Saygo), a gestão de risco é essencial para preservar a margem. “Em datas de pico, quem chega ao Natal sem proteção cambial transforma câmbio em loteria. Termos e NDFs para travar taxa, contas em moeda estrangeira para casar fluxos e plataformas digitais de câmbio para escalonar compras são hoje práticas de sobrevivência no varejo”, explica.
Oliveira acrescenta que o planejamento tributário e aduaneiro também é decisivo. Benefícios fiscais, classificação correta e regimes como o drawback ajudam a reduzir o custo efetivo por unidade importada, garantindo margens em um cenário de demanda aquecida, mas de câmbio volátil.
