Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2025

“Não precisamos de mais competição. Precisamos de organização”, diz Félix, da Claro

O presidente da Claro Brasil, José Félix, criticou nesta terça-feira, 2, iniciativas regulatórias que miram o aumento da competição no mercado de telecomunicações. “Não precisamos de mais competição, nós precisamos é de mais organização nesse ambiente [de telecomunicações]”, afirmou no Painel Telebrasil Summit 2025, que acontece em Brasília (DF)*.

Segundo Félix, o setor é exigente em capital intensivo, e empresas pequenas não teriam fôlego para dar conta das necessidade de investimento recorrente. “Não é através de empresas débeis que se vai ter o volume de investimento necessário para um setor pesado como esse, cuja tecnologia muda a cada instante”, defendeu.

Para o executivo, um dos problemas que o setor enfrenta atualmente é a carga tributária. Outra questão, diz, é insegurança regulatória. “Queremos é ajuda em tentar organizar, planejar, ter uma visão de futuro e segurança jurídica. Não queremos que as coisas mudem da noite para o dia sem aviso. Ninguém quer dinheiro emprestado do governo. Ninguém quer nada disso. A gente só quer paz e organização”, afirmou.

Fibra e TV paga
O presidente da Claro Brasil também deu sua opinião sobre a capacidade de o setor cobrir o país completamente com fibra óptica para a entrega de banda larga. A seu ver, é uma missão impossível, mas ampliar a conectividade é factível com a mescla de tecnologias.

“É impossível pôr fibra em tudo, impossível. Tem certas coisas que são possíveis. Tem certas coisas que são impossíveis. Então, a gente tem que se convencer das limitações que existem. E esse país, pelo território, pela vastidão, pela dificuldade, a selva e o cerrado, as montanhas, rios e mares. Vamos ter que usar uma combinação de tecnologias e vamos ter que ser realistas para não começar exigindo aquilo que é impossível de ser entregue”, observou.

Em conversa com o Tele.Síntese após o painel, o executivo também comentou a recente decisão da Anatel de emitir uma cautelar suspendendo a carga regulatória sobre serviços de TV paga que não estejam em ofertas convergentes (combos).

A seu ver, a decisão é tardia e não mudará o cenário de deterioração da demanda por TV por assinatura. “O SeAC é um serviço em extinção, enfatizou”. Por isso, a Claro concentra esforços no streaming e no TV Box, modelo que já estabilizou a receita após anos de queda. “Nos últimos quatro, cinco meses consecutivos, a nossa receita não cai em pay TV, o que é um fenômeno”, disse.

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