Sábado, 10 de Outubro de 2026

Na RecargaPay, a IA amplia a eficiência sem substituir a inteligência humana

A IA deixou de ocupar um espaço experimental dentro das empresas e passou a fazer parte da rotina de diferentes áreas, mas sua adoção não elimina a necessidade de estratégia, conhecimento do negócio e, especialmente no setor financeiro, governança. Na RecargaPay, a tecnologia vem sendo incorporada transversalmente para acelerar processos, aumentar a eficiência e liberar as equipes para atividades que exigem maior capacidade de análise, criatividade e planejamento.

A visão foi apresentada por Beto Petroni, Head de Comunicação e PR da RecargaPay, durante o Rio Innovation Week. Segundo o executivo, a liderança da companhia incentiva o uso de IA desde o início, mas a adoção precisou ser acompanhada pela criação de ambientes seguros para experimentação, considerando a natureza regulada da indústria financeira e o tratamento de dados sensíveis.

“Todos os departamentos da empresa usam a IA de uma maneira ou de outra para acelerar os processos, ter mais eficiência, mais rapidez, mais inteligência e liberar espaço para que as pessoas pensem melhor na estratégia, no conteúdo e nas atividades que precisam ser desenvolvidas ao longo do tempo”, afirma.

O movimento revela uma abordagem em que a IA não é tratada como uma tecnologia restrita à área de TI, mas como uma camada transversal de produtividade. Na comunicação e no marketing, por exemplo, a proposta é ampliar a capacidade de produção e experimentação das equipes.

A IA como aceleradora da criatividade

Na RecargaPay, a inteligência artificial entra como ferramenta de apoio para que a equipe interna de marketing consiga produzir, testar e ajustar soluções com maior velocidade.

“A gente não substitui, a gente melhora, acelera e faz mais com a inteligência artificial”, explica.

O executivo destaca a possibilidade de testar soluções em pequena escala antes de ampliar sua utilização. A lógica de “errar pequeno” permite experimentar diferentes aplicações da tecnologia sem necessariamente comprometer grandes recursos desde o início, combinando IA e conhecimento humano para identificar aquilo que pode gerar valor para o cliente.

Essa distinção ganha importância em um momento em que a discussão sobre IA no marketing muitas vezes se concentra na capacidade de automatizar a criação de textos, imagens e outros conteúdos. Na visão apresentada pela RecargaPay, a tecnologia não elimina a necessidade de profissionais especializados, mas muda a forma como eles empregam seu tempo.

Da IA recreativa à IA estrutural

Para explicar a maturidade do uso da tecnologia dentro da empresa, o executivo estabelece uma diferença entre o que chama de IA “recreativa” e IA “estrutural”. A primeira está relacionada a usos pontuais e individuais, enquanto a segunda está incorporada aos processos da organização e tem como objetivo melhorar produtos, serviços e operações.

“Na RecargaPay, a gente tem a IA ‘de fora para dentro’. Significa que a gente está melhorando os nossos processos, otimizando os nossos recursos para entregar um serviço, um produto e preços melhores para os nossos clientes”, afirma.

Essa perspectiva também altera a forma de pensar a comunicação. Antes de promover um produto, é necessário entender se ele efetivamente resolve uma necessidade. Para a companhia, marketing e produto precisam caminhar juntos, com a comunicação funcionando como uma forma de explicar ao consumidor o que pode ser feito com cada serviço financeiro e em quais situações ele pode ser útil.

Os dados ajudam a entender as comunidades

Com uma base de mais de 14 milhões de clientes, a companhia também utiliza IA para compreender diferentes perfis e interesses dentro de sua base. Em vez de tratar a comunidade como um grupo homogêneo, a estratégia considera diferentes necessidades financeiras, desde investimentos e crédito até cashback, recarga de celular e transporte público.

Nesse processo, o conceito de comunidade também é ampliado. Em vez de olhar apenas para os creators, a empresa trabalha com a ideia de formadores de opinião em diferentes nichos financeiros, identificando pessoas relevantes para cada assunto e construindo uma comunicação específica com esses públicos.

A IA entra justamente na identificação desses grupos e na produção de conteúdos relevantes para cada perfil, mas usando a inteligência humana como elemento de decisão.

Para o executivo, uma das contribuições mais importantes da tecnologia nesse processo está na capacidade de conversar com os próprios dados da organização. Perguntar aos dados o que está acontecendo, identificar dores e compreender os anseios de uma comunidade pode ajudar a orientar a comunicação, mas não substitui o contato direto com o consumidor.

“Você combina a tecnologia, o que você aprendeu na inteligência artificial, com o que você está vendo na prática. E aí sim você pode criar conteúdo e desenvolver maneiras de conversar com essas pessoas”, afirma.

A confiança passa a ser parte da tecnologia

No setor financeiro, a adoção da IA tem uma particularidade: a tecnologia lida diretamente com dinheiro e dados de pessoas. Por isso, a evolução das aplicações precisa caminhar junto com estruturas de governança, cibersegurança e proteção de informações.

Na RecargaPay, segundo o executivo, as equipes que trabalham com dados sensíveis estão inseridas em ambientes próprios para esse tipo de atividade, enquanto a companhia mantém mecanismos de governança voltados ao tratamento dessas informações.

Essa preocupação também está ligada à construção de confiança. Para uma empresa financeira digital, a experiência do usuário não depende apenas da facilidade de navegação ou da capacidade de oferecer novos produtos, mas da percepção de que o dinheiro está sendo tratado com segurança.

Nesse sentido, educação financeira e confiança aparecem como duas dimensões complementares. A comunicação precisa ajudar o consumidor a compreender o que pode fazer com seu dinheiro, enquanto as empresas precisam garantir que os produtos sejam oferecidos dentro das regras e estruturas de governança estabelecidas pelo setor.

A diferença em relação a outros segmentos está na natureza da consequência de uma falha. Um problema na entrega de um produto de consumo pode ser contornado temporariamente; quando envolve dinheiro, a situação pode afetar diretamente compromissos financeiros do consumidor.

“Eu preciso pagar a conta hoje porque amanhã vou ficar sem luz. Então, o dinheiro exige uma responsabilidade muito grande das empresas”, afirma.

Por isso, a adoção de inteligência artificial no setor financeiro passa por uma equação que combina eficiência, personalização e velocidade com governança e responsabilidade. Na RecargaPay, a tecnologia aparece como uma ferramenta para ampliar a capacidade das equipes e compreender melhor os clientes, mas a construção de confiança continua dependendo da combinação entre dados, processos, comunicação e inteligência humana.

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