Na América Latina, 67% dos planos de celular têm zero rating para apps
Caindo em desuso em diversas partes do mundo, o zero rating segue firme e forte na América Latina, onde dois terços dos planos de celular preveem algum serviço ou aplicativo cujo uso não desconta da franquia padrão de dados móveis, indica um levantamento da consultoria Tarifica.
Após analisar 1.997 planos de telefonia móvel em 17 países da região, o estudo mostra que 1.331 (67%) contemplam alguma forma de zero rating – tanto a que prevê uma oferta extra de dados para um aplicativo específico (por exemplo, bônus de 2 GB para WhatsApp, sem descontar da franquia principal) como a que inclui uso ilimitado do serviço.
Inclusive, o levantamento mostra que o WhatsApp é, com folga, o aplicativo mais popular na política comercial de não cobrar pelo uso da franquia móvel.
Isso porque 61% dos planos de telefonia móvel (1.224, em números absolutos) comercializados em países latino-americanos incluem o app de mensageria da Meta com zero-rating, sendo que 55% (1.107) preveem o uso ilimitado da ferramenta, indica o estudo.
O levantamento ainda aponta que, após o WhatsApp, as ferramentas mais comuns em ofertas de zero rating são redes sociais, como Facebook (49%), Instagram (39%) e X (33%). Em seguida, aparecem o aplicativo de vídeo YouTube (16%) e a ferramenta de navegação e trânsito Wave (16%).
Estratégia regional
Apesar da estratégia comum de compor a oferta de zero rating com WhatsApp, os preços dos planos, convertidos em dólar, variam bastante entre os países da América Latina.
O estudo destaca que, levando em conta os planos pós-pagos mais baratos em vigor em cada país, os preços de entrada com o uso ilimitado do app de mensageria sem descontar da franquia vão de US$ 10 a US$ 60.
No Brasil, a opção mais barata fica em torno de US$ 11 (aproximadamente R$ 60). Para o mesmo modelo (WhatsApp ilimitado), os preços de entrada mais elevados foram constatados em Honduras e Nicarágua.
“Uma breve análise dos dados revela que as ofertas de telefonia móvel na América Latina permanecem distintas dos mercados mais desenvolvidos devido ao uso contínuo de aplicativos com zero rating”, afirma o vice-presidente de Dados e Análise da Tarifica, Soichi Nakajima.
De acordo com a consultoria, a prática do zero rating foi, em grande parte, eliminada de Estados Unidos, Canadá e Europa em função das regulamentações de neutralidade de rede. Por outro lado, o estudo ressalta que, na América Latina, o uso de apps sem consumo de franquia ainda faz parte das estratégias das operadoras.
“O WhatsApp é o aplicativo com zero rating mais popular provavelmente porque é preferido em comparação às chamadas de voz e mensagens SMS padrão na comunicação pessoal e empresarial”, complementa Nakajima.
