Mudança sustentável nos negócios
Assuntos de interesse público, como sustentabilidade, devem estar no topo dos processos das empresas que visam a gerar ganhos para todo o ecossistema. A sociedade tem se manifestado pelo bem-estar social e ambiental, o que torna este movimento imprescindível para negócios que buscam se destacar.
Instituições que querem gerar impacto positivo para as pessoas e para o planeta precisam direcionar suas ações estrategicamente. As decisões do presente devem contemplar o futuro e ser fundamentadas em dados e na ciência. Olhar para a inovação é essencial para alcançar ganhos sociais, ambientais e financeiros.
João Paulo Ferreira, CEO da Natura, empresa que nasceu em 1969 pautada pela sustentabilidade e bem-estar, divide comigo nessas linhas a importância do direcionamento de estratégia, recursos e responsabilidade. “Nunca nos vimos como um agente apartado da sociedade ou do meio ambiente, mas, sim, parte desses sistemas e, portanto, corresponsáveis por eles”, contextualiza o executivo.
O executivo cita também eventos climáticos extremos, como as enchentes no Rio Grande do Sul e a seca na Amazônia, que afetaram milhares de pessoas e a economia, como um alerta. “O que esses episódios nos mostram é que não existe economia fora dos limites da vida, dos ecossistemas, do clima, e a prevenção custa menos do que a remediação”. Estimativas recentes do Fórum Econômico Mundial mostram que mais da metade do PIB mundial, cerca de US$ 44 trilhões, possui alta ou moderada dependência da natureza.
A sustentabilidade, no sentido de sustentar as coisas como estão, já não basta. É preciso regenerar! Vejamos: como pontua o CEO, mais do que reduzir ou mitigar os impactos negativos de suas atividades, os negócios devem regenerar a vida em suas múltiplas dimensões: indivíduos, comunidade e natureza.
“Somos uma empresa neutra em carbono desde 2007, e agora nos comprometemos a zerar as emissões até 2030, antecipando em duas décadas as metas do Acordo de Paris. Nossa trajetória mostra que é possível conciliar resultados econômicos com progresso social e recuperação ambiental. No último balanço financeiro, nossa operação registrou crescimento de dois dígitos, enquanto reduzimos as emissões de carbono”, afirma João Paulo.
A solução para desafios complexos exige colaboração entre governos, empresas e sociedade civil. As lideranças empresariais têm um papel crucial no debate e nas práticas socioambientais. Inovar em formatos tecnológicos tem possibilitado a muitas instituições gerarem resultados assertivos, há muitas possibilidades também quando a gestão é inovadora.
“Um exemplo de inovação que pode impulsionar transformações é o Integrated Profit & Loss, o IP&L, um balanço integrado. Com ajuda de especialistas e acadêmicos, desenvolvemos um indicador que monetiza externalidades, ou seja, medimos o capital humano, social e ambiental da empresa, para além dos resultados financeiros. Colocamos tudo em uma linguagem única, em números, e incorporamos isso na nossa gestão. Assim, acompanhamos resultados financeiros e socioambientais. Na última medição, geramos um valor econômico quase três vezes superior à receita da empresa”, conta o executivo.
Pesquisas, iniciativas e desenvolvimento de cadeias sustentáveis devem ser promovidos como alicerces para novas ações, e é importante que as empresas olhem na mesma direção para atingirmos as metas estabelecidas. A ciência mostra há décadas que eventos extremos vão se intensificar, e ignorá-los não é uma opção, a urgência é global. 2025 será um marco na história do Brasil e nós precisamos estar atentos para seguirmos e impulsionarmos ações efetivas de combate à crise climática e aos desafios sociais.
“A realização da COP30 na Amazônia este ano é uma oportunidade para o país se posicionar na liderança global da bioeconomia e da economia de baixo carbono. Atuamos há mais de 25 anos na região, e há dez operamos um complexo industrial e de pesquisa e desenvolvimento de cadeias sustentáveis no Pará. É possível transformar os modos de produção na floresta, gerando renda para comunidades locais”, ressalta Ferreira.
Implantar um modelo de atuação que seja lucrativo e referência no cumprimento da agenda de sustentabilidade, diversidade e inclusão pode e deve ser o objetivo de todo negócio. Pois quando alcançado, serve de referência para toda a sociedade!
