Microsoft investirá US$ 60 milhões em projeto de descoberta científica da Missão Genesis
A Microsoft anunciou um investimento de US$ 60 milhões para apoiar a Genesis Mission, iniciativa do Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE) que pretende transformar a pesquisa científica por meio da aplicação de inteligência artificial, computação de alto desempenho e tecnologias quânticas. O objetivo do programa é dobrar a produtividade e o impacto da pesquisa científica norte-americana na próxima década.
Como parte do compromisso, a empresa criou o SPARK (Scientific Partnership Advancing Research & Knowledge), um centro de coordenação voltado à colaboração entre a Microsoft, os 17 Laboratórios Nacionais do DOE, universidades e instituições de pesquisa. A iniciativa atuará como ponto central para integrar infraestrutura, pesquisadores e equipes técnicas, acelerando o desenvolvimento de projetos científicos baseados em IA.
O aporte será dividido em duas frentes. A primeira destina US$ 40 milhões em créditos de computação na plataforma Azure e serviços de inteligência artificial, distribuídos ao longo de três anos, para execução de cargas de trabalho científicas em larga escala. Os US$ 20 milhões restantes serão direcionados a serviços de engenharia, arquitetura, implementação e suporte técnico para transformar a infraestrutura em resultados científicos concretos.
Segundo a Microsoft, a Missão Genesis reúne décadas de dados científicos, instalações experimentais de ponta, supercomputação e inteligência artificial em uma plataforma integrada capaz de acelerar significativamente o processo de descoberta científica.
Plataforma Microsoft Discovery
Um dos pilares da colaboração será a plataforma Microsoft Discovery, disponibilizada para pesquisadores envolvidos na iniciativa. A solução integra modelos de IA, simulações, gerenciamento de dados e fluxos experimentais em um ambiente unificado para pesquisa científica.
Entre os recursos estão a orquestração de laboratórios autônomos, modelos de IA desenvolvidos pela Microsoft Research para aplicações científicas, aprendizado contínuo baseado no método científico, memória para agentes inteligentes, curadoria automatizada de dados e mecanismos avançados de raciocínio sobre grandes bases de informações científicas.
A companhia também fornecerá acesso antecipado ao aplicativo Microsoft Discovery, versão desktop da plataforma destinada a pesquisadores, estudantes e equipes científicas.
Computação quântica também integra estratégia
A iniciativa incorpora ainda os avanços recentes da Microsoft em computação quântica, incluindo pesquisas baseadas em qubits topológicos fundamentados na arquitetura Majorana. Segundo a empresa, a combinação entre IA e computação quântica permitirá enfrentar problemas de elevada complexidade em áreas como novos materiais, química, energia e segurança nacional.
A estratégia prevê que os avanços em IA acelerem o desenvolvimento da computação quântica, enquanto os futuros computadores quânticos ampliem a capacidade de resolver problemas científicos atualmente inviáveis para a computação clássica.
Primeiros projetos
A Microsoft destacou quatro projetos já em desenvolvimento dentro da Genesis Mission:
Pacific Northwest National Laboratory (PNNL): uso de IA para acelerar a descoberta de novos materiais para armazenamento de energia e automatizar experimentos em biologia sintética por meio de laboratórios autônomos.
Lawrence Livermore National Laboratory: desenvolvimento de modelos de IA para identificação precoce de ameaças biológicas, fortalecendo iniciativas de biossegurança e biodefesa.
Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory: criação de laboratórios autônomos capazes de projetar, executar e otimizar experimentos para desenvolvimento de materiais estruturais e supercondutores utilizando os modelos MatterGen e MatterSim.
Idaho National Laboratory: aplicação de IA para acelerar processos de licenciamento de novas usinas nucleares e desenvolvimento de operações remotas autônomas para geração de energia.
