Sábado, 18 de Julho de 2026

Mercado livre amplia disputa por consumidores de energia

A abertura do mercado livre de energia entrou em uma nova fase no Brasil. Depois de décadas restrito a grandes consumidores industriais, o modelo começa a se expandir para um universo muito maior. A partir de 2027, pequenas empresas e estabelecimentos atendidos em baixa tensão poderão escolher seu fornecedor de eletricidade. Em 2028, será a vez dos consumidores residenciais. A mudança altera uma das principais características do setor elétrico brasileiro. No mercado regulado, o consumidor compra energia exclusivamente da distribuidora local, com tarifas definidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). No mercado livre, passa a negociar diretamente com comercializadoras, podendo escolher preços, prazos contratuais e até a origem da energia. Segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), cerca de 85 mil consumidores já participam do mercado livre. Eles representam aproximadamente 43% de toda a eletricidade consumida no País. Apenas em 2025, foram registradas 21,7 mil novas migrações para esse ambiente. A expectativa do setor é de que a abertura amplie a concorrência entre fornecedores e acelere a oferta de novos produtos. Estimativas da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia apontam que a liberalização completa poderá gerar uma economia anual de até R$ 35 bilhões para consumidores residenciais e pequenos negócios. Além do preço, outro atrativo é a previsibilidade. Contratos de longo prazo reduzem a exposição às variações tarifárias do mercado regulado.

Disputa por espaço

A expansão do mercado vem provocando uma corrida entre comercializadoras e grupos de energia para conquistar clientes antes da abertura total. Casos como o da EDP mostram a tração que o tema vem ganhando. A companhia, que atua em geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia, foi uma das pioneiras no mercado varejista do País e atualmente está entre as quatro maiores do segmento. Em 2025, a EDP comercializou 7,04 TWh de energia para mais de 800 clientes. Agora em 2026, quando está completando 30 anos de atuação no Brasil e 50 anos no mundo, a empresa busca ampliar a sua atividade no mercado livre de energia, reforçando sua solidez e se posicionando não apenas como fornecedora, mas como parceira em soluções energéticas para diferentes perfis de clientes. “Estamos vivendo um momento de transformação no setor elétrico, com cada vez mais consumidores tendo a chance de escolher o seu fornecedor de energia”, afirma Tomás Baldaque, diretor de Soluções para Clientes da EDP na América do Sul. Segundo ele, a atuação da companhia em toda a cadeia do setor elétrico e sua experiência na comercialização varejista são diferenciais neste novo cenário. “Temos um plano robusto de investimentos no País, com foco em redes e em mercado livre, o que reforça a nossa solidez e a nossa aposta de longo prazo no Brasil. Isso nos dá previsibilidade e segurança para oferecer boas condições, bons produtos e soluções, e credibilidade no cumprimento de contratos”, ressalta Baldaque.

Expansão da carteira

A estratégia, que inclui reestruturação de equipes, implementação de ferramentas digitais, novos processos e modelos de atendimento, e novas soluções, vem sendo acompanhada pela conquista de clientes dos setores público e privado. Com o governo do Ceará, por exemplo, a EDP firmou contrato para fornecer energia a 144 órgãos do Estado até 2029. Já com o Sesc Bahia, a parceria prevê o fornecimento até 2030. Neste ano, a empresa também passou a atender a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com o fornecimento de energia renovável por meio do mercado livre para o campus de Eusébio, no Ceará. O abastecimento começou em janeiro e segue até 2028, com uma redução prevista de cerca de 18% nos gastos com energia da instituição de saúde e pesquisa. Para a coordenadora-geral de Infraestrutura dos Campi da Fiocruz, Ana Beatriz Alves Cuzzatti, a adesão ao mercado livre representa um avanço para a instituição. “Além da redução de custos, a contratação de energia proveniente de fontes renováveis fortalece o compromisso institucional com práticas ambientalmente responsáveis e está alinhada às diretrizes do Plano de Logística Sustentável em Infraestrutura da Cogic, que busca promover soluções inovadoras e sustentáveis para a infraestrutura da Fundação”, afirma.

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