Mercado de redes de acesso crescerá só 1% ao ano até 2030
O mercado global de redes de acesso por rádio (RAN, na sigla em inglês) deve crescer apenas 1% ao ano nos próximos cinco anos, após um período de forte retração que sucedeu o pico de investimentos em 5G. A projeção aparece em relatório divulgado nesta terça-feira, 27, pela consultoria Dell’Oro Group.
De acordo com o material, as condições do mercado de RAN começaram a se estabilizar após quedas acentuadas em 2023 e 2024, registradas depois do auge do ciclo de implantação do 5G.
“O mercado de RAN enfrentou anos extremamente desafiadores, com uma perda de quase US$ 10 bilhões em receitas globais”, afirmou o vice-presidente de pesquisa de mercado de RAN da Dell’Oro Group, Stefan Pongratz.
Ainda assim, a consultoria avalia que, na ausência de novos catalisadores relevantes, a demanda por equipamentos de RAN deve permanecer contida no curto prazo, antes de um eventual aumento dos investimentos ligados ao 6G.
Dessa forma, de acordo com o estudo, o crescimento médio de 1% ao ano nos próximos cinco exercícios será resultado da queda acelerada das receitas com LTE, que tende a compensar os investimentos contínuos em 5G e os primeiros aportes associados ao 6G.
Apesar de existirem riscos “inclinados para o lado negativo”, o maior interesse em torno da sexta geração de redes móveis é interpretado como um fator positivo no horizonte. “O sentimento em torno do 6G reforça a suposição de que pode haver receitas relevantes associadas à nova geração por volta de 2030”, completou o executivo.
RAN
Segundo a consultoria, o mercado de RAN já não apresenta crescimento estrutural no longo prazo há algum tempo. Entre 2000 e 2025, o setor registrou crescimento médio anual de 0%. Isso teria a ver com ciclos alternados de maior e menor intensidade de investimentos, de acordo com a disponibilidade de novas tecnologias, espectro e demanda por capacidade.
No cenário-base do relatório, a Dell’Oro projeta estabilidade tanto para o mercado de RAN quanto para os investimentos das operadoras. Na prática, isso deve resultar em melhorias nos indicadores de intensidade de capital antes do início dos aportes mais expressivos em 6G, previstos para o fim do período analisado.
A consultoria destacou ainda que cenários mais otimistas ou pessimistas podem ocorrer, a depender da evolução do tráfego de dados móveis, do ritmo dos investimentos em capacidade e das estratégias de diferenciação das redes.
A participação da RAN no total de investimentos em redes sem fio deve permanecer, em média, entre 20% e 25% ao longo do período de cinco anos analisado, segundo a Dell’Oro Group.
