Terça-feira, 18 de Agosto de 2026

Mercado de fibra deve piorar no Brasil em 2026 com pressão da IA, diz Lightera

A crescente demanda de data centers voltados a aplicações de inteligência artificial (IA) deverá ampliar a pressão sobre o mercado de fibra óptica no Brasil ao longo de 2026. A avaliação foi feita pelo gerente sênior de desenvolvimento de produtos da Lightera, Luiz Henrique Ferschner, durante entrevista concedida ao TELETIME na Abrint Global Congress 2026. Segundo o executivo, já há escassez global do insumo e o cenário tende a se agravar nos próximos meses.

“Está faltando fibra”, afirmou o executivo da Lighera. De acordo com ele, o aumento do consumo não está relacionado à guerra na Ucrânia, hipótese frequentemente levantada pelo mercado, mas sim ao avanço da infraestrutura necessária para suportar aplicações de IA. “O mercado está comprando muito mais fibra do que estava previsto”, disse.

Segundo o executivo, os data centers utilizam cabos com capacidade muito superior à adotada tradicionalmente por provedores de Internet. Enquanto redes convencionais trabalham com cabos de 12 a 96 fibras, ambientes de data center podem demandar cabos de até 1.728 fibras. “É muita fibra, mesmo sendo pequeno comprimento”, afirmou.

Para ele, a necessidade de respostas rápidas em aplicações de IA também pressiona a expansão das redes de acesso. “Quando você faz uma conexão com a IA, você tem uma resposta rápida. Você não quer esperar”, declarou.

Panorama
Ferschner afirmou que o mercado norte-americano enfrenta uma situação mais crítica, com prazos de entrega elevados e restrições à compra de fornecedores asiáticos. Segundo ele, os efeitos costumam chegar posteriormente à América Latina. “Vai piorar um pouquinho neste ano”, disse.

“Atender essa demanda explosiva é quase que impossível totalmente”, disse. A empresa informou que realiza investimentos para ampliar a capacidade produtiva, embora reconheça que a expansão não ocorre de forma imediata. A companhia também pode recorrer a unidades internacionais para complementar o fornecimento de fibra ao mercado brasileiro.

Durante a entrevista, o executivo também comentou as medidas antidumping aplicadas pelo governo brasileiro sobre fibras e cabos ópticos importados da Ásia. Segundo ele, o impacto prático da medida acabou reduzido pela própria escassez global de oferta. Ele acrescentou ainda que o governo deve continuar reavaliando periodicamente as medidas para verificar o equilíbrio competitivo do mercado, mas garantiu que as fabricantes estabelecidas no Brasil terão condições de suprir as necessidades do mercado interno.

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