MCTI vê risco de ‘colônia digital’ na dependência tecnológica do Brasil
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) avalia que a dependência brasileira de infraestrutura e serviços tecnológicos estrangeiros representa grande risco para a soberania digital do País. De acordo com a pasta, o Brasil precisa reduzir a dependência tecnológica externa para evitar uma condição de vulnerabilidade estratégica.
“Se quiserem fazer guerra com o Brasil, não é necessário soltar bomba alguma. É só apertar um botão para desligar o Windows aqui e pronto. Com isso, a gente não consegue fazer mais nada. Estamos presos. Estamos dependentes em um nível que não dá para sair do dia para a noite”, disse nessa quinta-feira, 14, o diretor do departamento de ciência, tecnologia e inovação digital (DECTI) do MCTI, Hugo Valadares.
De acordo com ele, o País precisa evitar a condição de “colônia digital”. A fala foi feita durante a inauguração do novo laboratório de inteligência artificial do Instituto Atlântico (Alia), em Fortaleza. Para Valadares, a nova infraestrutura na capital cearense é importante na estratégia de soberania nacional. Segundo o diretor, o País precisa evitar a condição de “colônia digital”.
R$ 23 bilhões
Valadares afirmou que o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, lançado pelo governo, busca criar bases para ampliar a autonomia tecnológica do País, embora reconheça que os resultados dependem de investimentos de longo prazo. O diretor também citou os R$ 23 bilhões previstos no plano federal para ações ligadas à IA. Mas ele ponderou que o valor ainda é insuficiente diante das necessidades do setor.
“Temos que começar. Os R$ 23 bilhões do plano brasileiro de IA não são suficientes. Mas diante de um País com tantos problemas, tamanha desigualdade e déficits, inclusive educacionais, esse é um passo importante. É uma decisão que mostra a prioridade que o governo tem dado para isso”.
Dependência
Diretor de inovação e novos negócios do Instituto Atlântico, Luiz Alves, também defendeu maior capacidade nacional de pesquisa, processamento computacional e formação de profissionais especializados. Para ele, o Brasil ainda possui forte dependência de tecnologias estrangeiras, especialmente em infraestrutura avançada de computação voltada à inteligência artificial.
O executivo também criticou a concentração global da capacidade computacional em poucas empresas e países. “Essa política do ‘toma aqui horas de GPU e me dá o teu conhecimento’ ou ‘treine aqui o meu modelo ‘ não pode continuar”, declarou. Segundo Alves, o País precisa transformar conhecimento científico em capacidade produtiva própria para reduzir a distância tecnológica em relação a outras economias globais.
