MCom tem pressa com rodovias e quer cabos submarinos pela costa brasileira
O Ministério das Comunicações (MCom) tem meta de lançar a Política Nacional de Conectividade de Rodovias (PNCR) “até a metade deste ano”, afirmou o secretário de Telecomunicações da pasta, Hermano Tercius.
O dirigente do MCom participou nesta quarta-feira, 6, do primeiro dia do Abrint Global Congress (AGC) 2026, realizado em São Paulo.
O programa estava previsto para ser divulgado no fim do ano passado, mas, de acordo com Tercius, foi adiado a pedido do Ministério dos Transportes. Agora, as pastas estão “alinhando” a política pública para apresentá-la nos próximos meses.
O secretário ressaltou que a intenção é expandir a cobertura de telefonia móvel em rodovias federais. Hoje, cerca de 50% das estradas estão conectadas por ao menos uma operadora.
“A gente quer dobrar isso com essa política de conectividade em rodovias. Estamos alinhando com o Ministério dos Transportes para fazer até a metade do ano”, afirmou Tercius.
Na prática, hoje o consumidor consegue utilizar a rede móvel da sua operadora em aproximadamente 35% das vias – ou seja, para ter cobertura em todas as estradas atualmente conectadas, precisaria ser cliente das três operadoras nacionais.
Cabos submarinos e data centers
O secretário voltou a afirmar que a Política Nacional de Cabos Submarinos está em fase final de elaboração. O MCom já tem versões preliminares de uma minuta de projeto de lei, uma portaria e um decreto.
De acordo com Tercius, o programa busca criar condições para ampliar os pontos de ancoragem de cabos pela costa brasileira. A ideia é que essas infraestruturas não fiquem limitadas aos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará.
“Um dos itens mais importantes da nossa política de cabos submarinos é viabilizar um cabo entre as capitais litorâneas do Brasil”, asseverou, acrescentando que o objetivo é levar a rede submarina do Amapá ao Rio Grande do Sul.
Na avaliação de Tercius, a expansão da rede de cabos pelo litoral brasileiro é o que vai impulsionar a descentralização dos data centers pelo País, o que ele chama de construir um “cinturão de data centers edge”.
O secretário ainda lembrou que São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará concentram cerca de 70% dos data centers instalados no território brasileiro. Em termos de capacidades, essas estruturas são responsáveis por 90% do processamento dos dados.
“Fica muito clara a associação de cabos submarinos e data centers, mas precisamos instalá-los em mais regiões do Brasil, e não só nesses estados”, pontuou.
Mercado
Já Affonso Nina, presidente da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais do Brasil (Brasscom) alertou que, sem redução de carga tributária, dificilmente o Brasil vai usar todo o seu potencial para atração de data centers.
O dirigente também ressaltou que o Redata, programa que visa a reduzir impostos federais, “não morreu”, mas deve vir “com muito atraso”, uma vez que a proposta buscava se antecipar à reforma tributária.
A associação ainda tem trabalhado, ao lado das secretarias de fazenda estaduais, para diminuir o impacto do ICMS sobre os equipamentos de data centers. O tributo estadual é responsável por dois terços da carga tributária do setor.
“Com esses passos, a gente se torna competitivo e os investimentos virão para todos os tipos de data centers”, reforçou Nina.
