Maioria das teles destina menos de 10% de sua rede para uplink
A maioria das operadoras móveis do mundo destina menos de 10% da capacidade das suas redes para uplink, revela levantamento feito pela Ookla. Mas isso pode mudar radicalmente a médio e longo prazo, dependendo de como evoluir a popularidade de aplicações de inteligência artificial que analisam vídeos em tempo real a partir de óculos inteligentes, aponta o relatório.
O levantamento comparou 17 operadoras de cinco países (China, Coreia do Sul, Reino Unido, EUA e Brasil). A liderança ficou com as chinesas. As teles do país são aquelas com maior proporção de capacidade de rede dedicada para uplink: China Telecom (16,5%), China Unicom (16,3%) e China Mobile (12%).
As operadoras norte-americanas aparecem nos últimos lugares, com as menores proporções destinadas a uplink: Verizon (7,1%), T-Mobile (6,7%) e AT&T (6,6%).

Fonte: Ookla
A brasileira mais bem colocada e também a única do país acima de 10% foi a Claro (10,2%), seguida por TIM (9,1%) e Vivo (8,3%). Nos últimos três anos é notada uma queda contínua nesses percentuais nas três teles nacionais. Em 2023, por exemplo, a Claro destinava 10,4%; a TIM, 9,3%; e a Vivo, 9,3%.

Fonte: Ookla
Variações no comportamento de uso e na popularidade de diferentes aplicações em cada mercado impactam na estratégia das operadoras ao configurarem suas redes. Aplicações que envolvem transmissões ao vivo precisam de mais banda para uplink. Segundo a Ookla, na Ásia há operadoras que procuram se diferenciar destacando sua capacidade de uplink para atrair usuários que são live streamers, por exemplo.
Uplink: metodologia e ponderações no cálculo
Há basicamente duas formas de as teles organizarem a capacidade de suas redes entre downlink e uplink. A primeira é dividindo o espectro em blocos de frequência separados para subida e descida, que neste caso podem operar simultaneamente. Esta técnica é chamada de FDD, na sigla em inglês. A outra é misturar uplink e downlink na mesma faixa de frequência, mas organizar o tráfego por tempo, técnica conhecida como TDD. Neste caso, é como se houvesse um semáforo determinando quando os dados podem subir ou descer.
A forma como cada rede está configurada entre downlink e uplink impacta nas velocidades de download e upload. E foi a partir da coleta de medições dessas velocidades que a Ookla tentou calcular a capacidade destinada por cada operadora em cada sentido do tráfego. O relatório considerou apenas os 10% de medições mais altas de cada operadora, para chegar o mais perto possível da performance máxima desenhada para a rede, descartando os resultados piores, que podem ter sofrido deterioração por fatores externos, como interferência de sinal, qualidade do handset, sobrecarga da rede etc. Para chegar ao percentual destinado a uplink, a Ookla dividiu as velocidades agregadas de upload pela soma das velocidades agregadas de upload e download.
Importante ressaltar que há também outros fatores técnicos relacionados à arquitetura das redes que influenciam nas velocidades, como a quantidade de espectro disponível para a operadora, o uso de carrier aggregation (agregação de canais de diferentes faixas de espectro) e a utilização de antenas MIMO.
A Ookla pondera que ter mais ou menos espectro não parece influenciar na decisão de alocação de capacidade entre downlink e uplink. A inglesa Vodafone, por exemplo, é uma das operadoras do mundo com mais espectro em bandas médias e baixas (526 MHz) e, no entanto, fica bem atrás em capacidade para uplink quando comparada com a China Telecom, que tem apenas 220 MHz.
