M&A desacelera, mas 2026 pode ser ponto de virada na banda larga
Após atingirem um pico em 2021, as operações de fusão e aquisição (M&A) no mercado de banda larga vêm desacelerando significativamente desde 2023, sobretudo em função dos juros elevados, que encarecem a captação de crédito para financiamento. A tendência, contudo, ainda é de consolidação do mercado e 2026 pode ser um ano de uma possível retomada.
Isso é o que indica um estudo da consultoria Alvarez & Marsal (A&M). O relatório aponta que 135 M&As foram realizados no setor de fibra óptica entre 2020 e 2025. O auge foi observado nos anos de 2021 (35 transações) e 2022 (34).
Nos últimos três anos, porém, houve uma perda significativa de ritmo, com o número de operações mapeadas caindo continuamente: 20 em 2023; 17 e 2024; e 14 em 2025.
Ainda segundo a consultoria, outras 48 operações foram de aquisição da rede de fibra óptica e as demais 13 de ativos variados (como aquisição de carteira).
Cenário de 2026
Em entrevista ao TELETIME, o head de M&A e capital markets da A&M, Fernando Szterling, um dos autores do estudo, afirma que, apesar da desaceleração dos processos de fusão e aquisição nos últimos anos, “2026 é uma incógnita“. Segundo ele, por enquanto nota-se “um ligeiro esfriamento” durante o primeiro trimestre em relação ao trimestre anterior, mas “bastante marginal”.
A despeito disso, o especialista ressalta que “há sinais de atividade” – como a aquisição da carteira de banda larga da Ligga pela Brasil TecPar – e indicações macroeconômicas que podem ajudar o mercado, como uma possível redução dos juros nos Estados Unidos acompanhada de movimento semelhante no Brasil.
A retomada dos processos de abertura de capital em bolsa (IPO, na sigla em inglês), como o da fintech PicPay em janeiro em Nova York, também sinaliza uma possível recuperação dos M&As por aqui. “Isso é bom porque o setor de finanças retrai primeiro e reabre primeiro“, explica.

“Haverá M&A. No curto prazo, como a conjuntura econômica ainda é desafiadora, vários provedores são ativos estressados [com dificuldades financeiras]. Mas a tendência a médio prazo é de diminuição do número via estresse financeiro de alguns e aquisição de outros“, complementa.
Szterling lembra que no Brasil há mais de 20 mil ISPs em operação. Já os Estados Unidos, país mais populoso e com uma economia muito maior, conta com cerca de 2,5 mil provedores.
Perfil atrativo
De acordo com Szterling, fusões entre empresas de porte semelhante (como pequenos provedores se juntando para formar uma operação média) não devem predominar no mercado de M&A daqui para a frente. Em função das dificuldades financeiras de muitos prestadores de banda larga, o cenário que deve se destacar é o de empresas maiores comprando menores, aposta.
“Se você olhar as companhias de médio para grande porte, por dificuldades financeiras elas tendem a entrar em movimentos de fusão e aquisição. Depende de quanto tempo durar essa conjuntura econômica com juros elevados, mas eu esperaria mais fusões e aquisições desse nível: as grandes comprando as de médio porte“, afirma.
O especialista da A&M ainda salienta que, na retomada dos M&A, os provedores com carteiras de clientes corporativos (B2B) serão os mais interessantes. “São clientes com menor churn [taxa de cancelamento] e tíquete mais alto. As companhias de médio porte com perfil B2B são as joias que as grandes operadoras, o top 10 do mercado de banda larga, estão buscando”, pontua.
M&A como forma de impulsionar o caixa
Conforme o relatório da A&M, o que também deve contribuir para a retomada dos processos de fusão e aquisição é a necessidade de empresas gerarem caixa para reduzir a alavancagem. A aquisição de base de clientes, por exemplo, é uma forma de injetar receita quase que de forma imediata.
“A ideia é aumentar a carteira, porque isso aumenta a receita, mas o aumento dos custos não é proporcional. A receita aumenta mais do que os custos, porque você está justamente se desfazendo da estrutura de custos da empresa que está sendo adquirida”.
