Kwai terá zero rating com mais uma operadora até a primeira metade de 2026
O Kwai (Android, iOS) deve fechar uma parceria com uma segunda operadora brasileira para oferecer acesso ao seu aplicativo sem consumo de dados da franquia de celular do usuário (zero rating, em inglês). Em conversa recente com Mobile Time, a diretora geral do aplicativo de vídeo, Claudine Bayme, confirmou que esperam fechar um novo acordo no primeiro semestre deste ano.
Controlado pela chinesa Kuaishou, o app firmou sua primeira parceria de zero rating com a Claro em meados de 2025. Com a operadora, Bayme afirmou que a parceria colaborou para trazer “resultados expressivos” ao seu aplicativo, como aumento na retenção, na base de usuários e na “favorabilidade” pelo Kwai no Brasil, ou seja, ter uma percepção mais favorável da marca sobre as outras.
A executiva explicou que o motivo por manter uma relação com as empresas de telecom foi apoiar o acesso de seu público em regiões que possuem forte presença, como norte e nordeste do Brasil e classe socioeconômica C e D; ao mesmo tempo que apresentam conteúdos focados e pertinentes aos públicos dessa região. Essa estratégia contou ainda com o lançamento da versão leve do app ano passado durante o BBB 25 na Globo, o Kwai Lite (Android) que possui apenas 5 MB de consumo de espaço do handset do usuário.
Agora, além de atrair mais uma grande operadora com zero rating, a diretora confirmou que também procurarão mapear operadoras regionais (ISPs) e avançar em parcerias com distribuidores, sistemas e fabricantes para colocar o app do Kwai em TVs conectadas.
Vale dizer que nesta estratégia de levar o Kwai para mais telas, o app possui uma parceria com a JCDecaux para levar seus conteúdos às telas de OOH em trens e metrôs nacionais.
Apostas do Kwai no Brasil
O Brasil possui 60 milhões de usuários ativos mensais que ficam em média 75 minutos no Kwai. Não à toa, o app tem como uma de suas principais apostas para manter-se forte no País, o avanço do seu marketplace (Kwai Shop) e de seu formato de vídeo de mininovela (TeleKwai) para atrair consumidores e marcas.
Apesar de ter outros formatos de sucesso como Kwai Creator Marketplace (KCM, que conecta conteudistas com marcas), Kwai Creator Service (KCS, conexão entre marcas e criadores emergentes) e projetos especiais, como o reality show de AirFryer com a Britania, Bayme explicou que o TeleKwai é o formato mais forte da empresa, pois integra publicidade à narrativa da história sem interrupção comercial, algo mais “orgânico e diverso” que foi adotado em campanhas da Coca-Cola, Cheetos e Honda, por exemplo.
Criado em 2018 e lançado em 2022 no Brasil, o TeleKwai cresceu um 33% até 2024, ao saltar de 45 bilhões de visualizações entre 2022 e 2023 para 60 bilhões entre 2023 e 2024. Para efeito de comparação, dos R$ 7 bilhões que o Kwai investiu no Brasil desde sua chegada, 20% foram no desenvolvimento de micronovelas que tem atualmente 5 mil criadores cadastrados e 20 agências especializadas.
A executiva explicou que um dos motivos para este formato ser bem acessado pelos brasileiros são alguns fatores, como a curiosidade do brasileiro em saber “como é o quintal do outro”, como um usuário do sul vendo o cotidiano de uma pessoa do norte; e a universalidade com roupagem regional, o que envolve abordar temas que tocam a todos (paixão, ódio, revanche, emoções humanas), mas em contexto e estética regional.
“Pensando na experiência do usuário, queremos levar o conteúdo do Kwai, que é específico e diferente do que vemos em outras plataformas, para todos É um tipo de conteúdo que faz sentido com o nosso público”, disse, ao citar casos de vídeos simples com conteúdo regionais que viralizaram.
Também colaboram para essa estratégia de regionalização, apoio com patrocínios e transmissão de conteúdos esportivos e de regionais, como festividades, Carnaval Bate-Bola no subúrbio do Rio de Janeiro, Festa de São João no Nordeste e do Boi Bumbá no Norte, além de Brasileirão Série B e Copa América.
Importante dizer que a estratégia de conteúdo do Kwai ainda se baseia muito na busca por relevância, seja com prêmios de publicidade, como o Clio Awards, por meio de uma campanha veiculada em sua plataforma, robustez com campanhas de combate à desinformação e de apoio social com governo federal, governos estaduais e sociedade civil.
Comércio e IA
Em sua frente comercial, Bayme afirmou que a grande aposta para 2026 é a consolidação do Kwai Shop no Brasil, o seu marketplace. Com crescimento de 1.300% da fase beta em 2024, ante o lançamento no começo de 2025, o espaço de negócio foca em trazer ofertas do pequeno e médio varejista regional. Do outro lado, o Shop do Kwai busca levar aos consumidores a compra inteligente, ou seja, uma cesta de produtos competitivos ou diferenciados que o usuário não encontraria em outros lugares – os “achadinhos”.
Dentro dessa estratégia, uma das forças que a companhia começa a trazer é a inteligência artificial. A diretora geral do Kwai no Brasil confirmou ao Mobile Time que estão testando com alguns lojistas locais uma IA para gerar campanhas promocionais. No momento estão fazendo uma avaliação sobre o quão efetiva é a ação e como colabora para converter em vendas, além de colaborar para reduzir os custos operacionais com marketing desses pequenos comerciantes.
A iniciativa com IA para varejistas não é única na plataforma de vídeo. O Kwai também está preparando o lançamento do Kling no Brasil, uma ferramenta de geração de vídeo semelhante ao Sora, da OpenAI, e Veo3, do Google. Atualmente, o Kling possui 22 milhões de usuários e 1,6 bilhão de vídeos criados no primeiro semestre de 2025.
Antes de ser lançado no Brasil, o Kling passa por um processo de “localização e versionamento”. Quando chegar, a ideia é que o Kling apoie os criadores de conteúdo, em especial do TeleKwai, ao usar a IA para suprir necessidades técnicas (figurino, adereços, cenários) e o criador foque apenas na narrativa e na criação do material.
