Domingo, 18 de Janeiro de 2026

Juros altos e instabilidade fiscal travam investimentos em telecom, diz TelComp

As condições macroeconômicas do Brasil têm dificultado novos investimentos em telecomunicações, segundo a TelComp (associação de operadoras competitivas). Nesta terça-feira, 19, o presidente do conselho da entidade, Tomas Fuchs, avaliou que as taxas de juros elevadas aumentam o custo do crédito e tornam os projetos de infraestrutura mais arriscados.

“Muitas empresas carregam dívidas pesadas e, sem um compromisso real com o ajuste fiscal — não apenas pelo lado da arrecadação, mas principalmente pelo controle das despesas —, a confiança de investidores e empreendedores fica comprometida”, disse Fuchs durante o V Simpósio da TelComp. Para o executivo, a estabilidade econômica e o equilíbrio fiscal são condições essenciais para atrair investimentos de longo prazo.

A associação defendeu ainda a autonomia da Anatel. “Não há competição sem regulação firme, isonômica e imparcial. Não há desenvolvimento sustentável do setor se as regras mudam ao sabor de conjunturas ou de pressões de curto prazo”, afirmou Fuchs.

Sem citar nominalmente Claro, TIM e Vivo, o executivo (que também é CEO Arqia e fundador da operadora Datora) criticou a concentração do mercado móvel brasileiro em três grandes grupos. Segundo ele, esse cenário limita a inovação e a diversidade de ofertas. Nesse sentido, a Telcomp saiu em defesa do PGMC (que segundo ele foi uma sigla inclusive sugerida pela associação à Anatel) e o trabalho da agência em apoio aos pequenos provedores.

Juros no Brasil
Hoje, a taxa básica de juros da economia (Selic) está em 15%. Este é o maior nível desde julho de 2006, e tem a ver com os esforços do Banco Central (BC) para cumprir a meta de inflação de 2025 no Brasil, que foi fixada entre 1,5% e 4,5%.

Não há, contudo, expectativa para que essa taxa caia tão cedo. Nessa segunda-feira, 18, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Diogo Guillen, disse durante evento da corretora Warren Investimentos que “ainda é cedo” para cogitar queda na Selic nas próximas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom).

Isso impacta o setor porque operadoras e prestadoras precisam de empréstimos e financiamentos para bancar redes de fibra, antenas, data centers e torres. Com a Selic em patamares elevados, os bancos repassam esse custo e os financiamentos ficam mais caros.

Empresas menores, como aquelas que operam em municípios pouco populosos e que podem competir com grandes grupos, dependem de crédito acessível para tocar projetos de expansão em conectividade. Se os juros estão altos, essas firmas podem repassar o custo para o usuário final.

Competição
Conselheiro da Anatel, Vicente Aquino defendeu a importância de ampliar a competição e dar previsibilidade ao setor. Ele lembrou que 29 milhões de lares no Brasil são atendidos por prestadoras de pequeno porte, o que corresponde a mais da metade dos acessos fixos de banda larga.

“Não se concebe metas de competição do PGMC [Plano Geral de Metas de Competição da Anatel] e não se fala em competição se nós não tivermos as prestadoras de Pequeno Porte [PPPs] lá junto”, disse Aquino.

O secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações (MCom), Hermano Tercius, afirmou que a prioridade do governo é transformar o planejamento em entregas que criem um ambiente de negócios mais moderno e atrativo ao investimento. “No MCom, temos trabalhado com foco em destravar gargalos e construir as bases para a próxima década de inovação”, contou.

Já o senador Eduardo Gomes, 1º vice-presidente do Senado, defendeu maior eficiência no processo legislativo. Ele avaliou que projetos estratégicos poderiam ter o tempo de tramitação reduzido em até dois anos se houvesse mais interação entre parlamentares e setores interessados.

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