Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2025

Inovação transforma fazenda e produção de alimentos

A pequena propriedade de 50 hectares foi criada para ser uma espécie de laboratório das práticas agroflorestais. O dono investiu em estufas de primeira linha, contratou consultorias experientes e tomou a decisão: plantar tomate. O produto seria cultivado sem agrotóxicos e usado em seus restaurantes, entre eles o famoso Mocotó, em São Paulo.

“Pensa, no início, em um fracasso”, afirma o chef Rodrigo Oliveira, um dos palestrantes do Fórum Economia Verde do Estadão. “Parece mais fácil ganhar uma estrela Michelin do que produzir com qualidade”, diz o chef. “O papel do restaurante, no fundo, é restaurar, é fazer as pessoas saírem dele melhor do que entraram.”

Após cinco safras de tomate, o grande problema do início ficou claro: o solo, por mais que tivesse sido cuidado, não estava 100% preparado para dar frutos e precisou passar por um manejo mais específico para produzir bem. “A i mportância do produtor, de quem está lá na ponta, é muito grande”, afirma Oliveira.

Enredo parecido surge na Fazenda Alta Conquista, no interior de São Paulo, que também abraçou a inovação nas últimas décadas. “Para quem deseja começar a investir em práticas sustentáveis, meu conselho é fazer um diagnóstico honesto dos problemas e oportunidades da propriedade. É importante ter humildade para aprender, buscar quem já tem experiência e entender que inovação não acontece de um dia para o outro”, afirma a fazendeira Luciana Dalmagro.

A trajetória mais recente da propriedade, que hoje pertence aos pais de Luciana e é referência em avicultura, começou com projetos que tinham sustentação econômica clara, como a energia solar, e depois avançou para iniciativas mais complexas. “Hoje, vejo que cada passo dado fortaleceu nosso negócio e nos conectou ainda mais com essa agenda. Inspirar outras pessoas, especialmente mulheres, a se envolverem no agro e acreditarem que é possível conciliar produção, preservação e impacto social positivo é uma honra.”

“Na fazenda, 60% da equipe é composta por mulheres. Além disso, criamos programas como o Jovem Aprendiz, voltado a filhos de colaboradores que vivem na propriedade.” /E.G.

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