Sexta-feira, 9 de Outubro de 2026

Informação e Comunicação emprega 1,4 milhão e lidera salários nos serviços

O segmento de Informação e Comunicação empregou 1,4 milhão de pessoas no Brasil em 2024 e registrou a maior remuneração média entre os sete grandes grupos do setor de serviços não financeiros. Os trabalhadores receberam, em média, o equivalente a 4,5 salários mínimos mensais, mais que o dobro da média de 2,2 salários mínimos registrada pelo conjunto dos serviços.

Os dados fazem parte da Pesquisa Anual de Serviços (PAS) 2024, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento mostra também o peso econômico das atividades ligadas à informação, telecomunicações e tecnologia: o segmento respondeu por 19% dos R$ 3,5 trilhões de receita operacional líquida gerados pelos serviços não financeiros no ano. Isso representa aproximadamente R$ 665 bilhões.

Dos 15,9 milhões de trabalhadores ocupados pelas 1,9 milhão de empresas de serviços pesquisadas, cerca de 8,6% estavam em Informação e Comunicação.

O resultado coloca o segmento como o quarto maior empregador entre os sete grandes grupos da PAS, atrás de Serviços profissionais, administrativos e complementares, com aproximadamente 7 milhões de trabalhadores; Serviços prestados principalmente às famílias, com 3,1 milhões; e Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, com 2,8 milhões.

TI paga 5,2 salários mínimos
Quando o IBGE desagrega os sete segmentos em 34 atividades, os dados mostram remuneração ainda maior nos Serviços de tecnologia da informação.

A atividade pagou salário médio equivalente a 5,2 salários mínimos, ocupando a quinta posição entre todas as atividades de serviços pesquisadas.

Ficou atrás apenas de Transporte dutoviário, com 21,1 salários mínimos; Transporte aquaviário, com 6,9; Transporte aéreo, com 6,6; e Transporte ferroviário e metroviário, com 5,5 salários mínimos.

O IBGE associa as maiores remunerações a segmentos que demandam mão de obra altamente qualificada e apresentam produtividade elevada.

A diferença é significativa em relação ao conjunto dos serviços. Enquanto Informação e Comunicação pagou 4,5 salários mínimos, a média geral ficou em 2,2. Serviços prestados principalmente às famílias, atividades imobiliárias e manutenção e reparação registraram remuneração média de 1,5 salário mínimo.

Tecnologia da informação responde por mais de 11% da receita
Os dados da PAS mostram também uma participação expressiva da TI na geração de receita.

Consideradas isoladamente as 34 atividades pesquisadas, os Serviços de tecnologia da informação responderam por 11,3% de toda a receita operacional líquida dos serviços não financeiros brasileiros.

A atividade ficou na terceira posição, atrás apenas dos Serviços técnico-profissionais, responsáveis por R$ 446,1 bilhões, ou 12,6% do total, e do Transporte rodoviário de cargas, com participação de 12,2%.

No nível mais agregado, Informação e Comunicação ficou com 19% da receita operacional líquida. Serviços profissionais, administrativos e complementares lideraram, com 29,4%, seguidos por Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, com 28,3%.

A participação de 19% corresponde a cerca de R$ 665 bilhões em receita operacional líquida, conforme destacou o Ministério das Comunicações ao comentar os resultados.

Informação e Comunicação tem maior concentração
Outro indicador da pesquisa revela uma característica da estrutura empresarial do segmento.

Informação e Comunicação apresentou o maior grau de concentração econômica entre os sete grupos pesquisados. As oito maiores empresas responderam por 31,7% da receita operacional líquida do segmento em 2024.

A proporção ficou acima dos 23,9% registrados em Outras atividades de serviços e dos 12,1% de Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio. No conjunto dos serviços, as oito maiores empresas concentraram 6,7% da receita.

O indicador utilizado pelo IBGE é o R8, que mede a participação das oito maiores empresas na receita operacional líquida de determinada atividade ou segmento.

MCom relaciona empregos à infraestrutura digital
Ao comentar os resultados, o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, relacionou a dimensão econômica das atividades digitais à necessidade de expansão das redes de telecomunicações.

“A transformação digital já faz parte da economia brasileira e gera empregos, renda e novas oportunidades. Para que esse movimento continue avançando, precisamos de uma infraestrutura de telecomunicações cada vez mais robusta, capaz de sustentar empresas, serviços e novas tecnologias em todo o país”, afirmou.

O MCom aponta redes de telecomunicações, conectividade de alta capacidade, data centers e infraestrutura de tecnologia da informação como componentes necessários à expansão da economia digital.

Os números da PAS dão dimensão ao mercado que utiliza essa infraestrutura: além dos 1,4 milhão de ocupados em Informação e Comunicação, as atividades de TI isoladamente já respondem por mais de um décimo da receita operacional líquida de todos os serviços não financeiros pesquisados pelo IBGE.

Mudança metodológica impede comparação direta com 2023
Embora os números indiquem a dimensão alcançada pelo emprego em Informação e Comunicação, a PAS 2024 não permite concluir, com esses dados, quanto o número de trabalhadores cresceu em relação ao ano anterior.

O próprio IBGE alerta para uma quebra na série histórica. A edição de 2024 substituiu a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) pelo eSocial como fonte para identificação das empresas ativas e retirou o indicador de atividade utilizado anteriormente. A alteração teve impacto especialmente sobre empresas com menos de cinco trabalhadores.

Por essa razão, 2024 passa a ser o início de uma nova série histórica da PAS, e comparações diretas com os resultados anteriores precisam considerar a mudança metodológica.

O dado que emerge da nova base é que Informação e Comunicação inicia essa série com 1,4 milhão de pessoas ocupadas, 8,6% do emprego dos serviços não financeiros, aproximadamente R$ 665 bilhões de receita operacional líquida e o maior salário médio entre os grandes segmentos pesquisados.

Compartilhe: