Sexta-feira, 7 de Agosto de 2026

IA avança nas escolas, mas só 22% têm diretrizes de uso

Ferramentas de IA generativa são utilizadas por 53% dos gestores de escolas brasileiras em atividades pedagógicas, administrativas ou financeiras, mas apenas 22% das instituições possuem orientações formais para seu uso. Os dados são da edição 2025 da pesquisa TIC Educação, divulgada nesta terça-feira, dia 4, pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).

Entre os gestores que utilizam IA, as aplicações mais frequentes são a criação de conteúdos visuais e materiais de comunicação (83%), elaboração de convites e comunicados (80%) e tradução, revisão ou resumo de textos (71%). Apesar da disseminação dessas ferramentas, apenas 22% das escolas possuem um guia de orientações para seu uso em atividades de ensino, aprendizagem ou gestão. O percentual é de 19% nas escolas municipais e de 25% nas redes estadual e privada.

O uso de IA pelos estudantes também começa a ganhar espaço. Em 37% das escolas, os alunos podem utilizar ferramentas de IA generativa em atividades educacionais. A proporção chega a 47% na rede estadual e a 52% nas instituições que oferecem turmas até o Ensino Médio.

Renata Mielli, coordenadora do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), afirma que a expansão dessas tecnologias exige políticas públicas e regras para orientar sua adoção. “A escola tem um papel importante e crescente, mas também as famílias e o Estado. Precisamos aprimorar políticas públicas e estabelecer regras para a atuação de plataformas digitais.”

Infraestrutura mantém celular como recurso pedagógico
A pesquisa também evidencia que o telefone celular permanece como um recurso de apoio às atividades pedagógicas, principalmente em escolas que enfrentam maiores limitações de infraestrutura tecnológica.

Entre as escolas que permitem que os estudantes levem aparelhos pessoais, 66% autorizam seu uso em atividades educacionais. O índice sobe para 76% nas regiões Norte e Nordeste e alcança 75% nas escolas rurais, onde a pesquisa também identifica maiores barreiras de conectividade e acesso a computadores.

Ao mesmo tempo, 51% das escolas informaram que não permitem que os alunos levem celulares para o ambiente escolar. A restrição é mais frequente nas instituições com turmas dos anos iniciais do Ensino Fundamental (69%) e menos comum naquelas que oferecem Ensino Médio (31%).

A infraestrutura também influencia a oferta de iniciativas de educação digital. Atualmente, 65% das escolas desenvolvem ações de educação digital, midiática ou cidadania digital, percentual que chega a 72% nas áreas urbanas e a 75% nas instituições que disponibilizam computadores e acesso à Internet para uso dos estudantes.

Entre os principais desafios apontados pelos gestores estão a baixa participação das famílias (75%) e a falta de materiais e recursos educacionais de apoio (64%). Nas escolas que ainda não promovem essas iniciativas, a ausência desses recursos é citada por 77% dos entrevistados, seguida pela baixa participação das famílias (66%) e pela qualidade dos computadores e do acesso à Internet (65%).

Discussões sobre tecnologia nas escolas ganham espaço
Além do avanço da IA, a pesquisa registra maior presença de temas relacionados às tecnologias digitais na agenda das escolas. Em 2025, 80% das instituições discutiram os impactos das tecnologias digitais na saúde mental dos estudantes, ante 62% em 2024. Também aumentou a proporção de escolas que promoveram reuniões sobre o uso de tecnologias digitais com pais e responsáveis, de 60% para 75%, e com professores e demais profissionais da instituição, de 68% para 86%.

Também cresceram as discussões sobre o uso seguro, crítico e responsável das tecnologias digitais, de 56% para 75%, e sobre a inclusão da educação midiática no currículo escolar, de 46% para 67%.

A edição 2025 da TIC Educação foi realizada entre agosto de 2025 e abril de 2026, com 2.404 escolas públicas e privadas de Ensino Fundamental e Médio, localizadas em áreas urbanas e rurais de todo o país, por meio de entrevistas telefônicas com gestores escolares.

 

Compartilhe: