Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2025

Hughes expande atuação além do satélite: IoT no agro e NTN entram no radar

O presidente da Hughes do Brasil, Rafael Meinking Guimarães, avalia que o mercado brasileiro de satélites está aquecido, impulsionado pela entrada de constelações de baixa órbita (LEO) e por uma base ainda sólida de serviços geoestacionários. “O segmento de satélite está extremamente saudável aqui no Brasil”, disse, na entrevista semanal do Tele.Síntese.

Segundo Guimarães, o avanço das redes LEO elevou a visibilidade do setor, mas os satélites GEO continuam essenciais em aplicações de missão crítica, com bandas C, Ku e Ka atendendo perfis distintos de tráfego e resiliência climática. No varejo, a companhia oferece banda larga rural em Ka; no corporativo, C e Ku dão suporte a utilities, setor financeiro e óleo e gás.

Irrigação conectada
Guimarães contou que a Hughes lançou há pouco no país o IoTSAT (GEO/Ku), terminais compactos e autoapontamento, voltado a tráfego baixo e aplicações de telemetria. O primeiro caso de uso é a automação de pivôs de irrigação: “O produtor pode programar o funcionamento do pivô pelo aplicativo, sem depender da cobertura celular na fazenda”, observou. A solução também conecta sistemas fotovoltaicos autônomos na Amazônia, viabilizando monitoramento remoto de produção.

OneWeb e Telebras
No LEO, a empresa atua como integradora e distribuidora de serviços OneWeb em projetos enterprise, com energia, óleo e gás e setor público entre os atendidos. “Temos uma parceria com a Telebras para complementar o SGDC usando o serviço da OneWeb fornecido pela Hughes”, disse, sem detalhar o cliente final.

Mas as parcerias com outras operadoras de satélite não param aí. Segundo Guimarães, a Hughes se posiciona cada vez mais como integradora de conectividade, e com isso, busca acordos com diversos players no segmento a fim de prover conectividade em áreas remotas, e em áreas bem atendidas por fibra, por exemplo, compete no SD-WAN.

Um exemplo da bucas por parcerias com provedores fixos está na implantação de redes móveis privativas. Voltadas para áreas extensas no agro e em campi industriais, a Hughes passou a projetar redes do tipo. “É como se a gente mesmo quisesse canibalizar o nosso mercado de satélite”, brinca Guimarães, ao destacar a oferta wireless com backhaul por fibra local quando disponível.

A receita hoje da empresa é composta metade pelo B2C (banda larga residencial, principalmente em áreas rurais) e metade enterprise, com o B2B crescendo cerca de 20% ao ano nos últimos três anos, segundo ele.

D2D: início em 2028
Guimarães informou que o grupo controlador da Hughes, a Echostar, assinou no começo do mês contrato para desenvolver uma constelação LEO voltada a “direct-to-device” (D2D) e IoT em padrão 3GPP 5G NTN, com uso de banda S e operação global prevista para 2028.

A venda do serviço ao consumidor, adiantou, deverá ocorrer via operadoras móveis, como complemento para eliminar zonas de sombra, a partir de 2028. O fornecedor da constelação NTN será MDA Space, e como característica, a rede será “open ran”.

O investimento da Echostar será de US$ 5 bilhões. A constelação terá de 100 a 200 satélites de órbita baixa. O sistema vai conversar diremente com celulares em terra, usando a faixa de frequência entre 2 GHz e 4 GHz, conhecida como Banda S.

Preocupação com possível retorno do Fistel
No campo regulatório, o executivo elogiou a agilidade do ambiente brasileiro para satélite, mas alertou para o risco de reonerar estações remotas caso benefícios atuais do Fistel não sejam prorrogados. “Morrendo em dezembro, é um desastre para todo o ecossistema”, afirmou, lembrando que taxas recaem no preço ao consumidor.

Confira a entrevista completa, na íntegra, no vídeo acima.

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