Huawei começa a ser julgada nos EUA, acusada de fraude e roubo de segredos
Começou nesta quarta-feira, dia 9, em um tribunal federal do Brooklyn, em Nova York, o julgamento criminal da Huawei Technologies nos Estados Unidos. A companhia chinesa responde a acusações que incluem fraude bancária, violações de sanções, roubo de segredos comerciais e conspiração sob a legislação RICO.
Na abertura do julgamento, o Departamento de Justiça afirmou que a Huawei teria recorrido durante anos a práticas ilegais para obter vantagem competitiva no mercado global de telecomunicações. A acusação sustenta que a empresa conspirou para se apropriar de tecnologias pertencentes a companhias dos Estados Unidos e utilizou o sistema financeiro norte-americano em operações relacionadas a negócios no Irã, noticiou a agência Reuters.
A defesa rejeitou a caracterização apresentada pelos promotores. Os advogados da Huawei argumentaram que o caso envolve competição empresarial e atividades comerciais comuns e negaram a existência de uma conspiração criminosa.
Acusações envolvem segredos comerciais
Parte do processo trata de supostos episódios de apropriação de tecnologia desenvolvida por empresas norte-americanas. Os promotores afirmam que a Huawei buscou obter segredos comerciais de cinco companhias. Entre os casos citados estão código-fonte de sistemas utilizados em roteadores da Cisco e tecnologia de um braço robótico desenvolvido pela T-Mobile para testes de aparelhos celulares.
A defesa sustenta que alguns desses episódios envolveram ações isoladas de funcionários e não demonstram a existência de uma política corporativa voltada ao roubo de propriedade intelectual.
O Departamento de Justiça também acusa a Huawei de ter usado informações obtidas de concorrentes para ampliar sua posição no mercado de equipamentos de telecomunicações.
Negócios no Irã integram processo
Outro eixo do julgamento envolve as operações da Huawei no Irã. O governo norte-americano afirma que a empresa teria ocultado a natureza de sua relação com a Skycom, companhia que atuava no país, para permitir a realização de transações em dólares pelo sistema financeiro dos Estados Unidos.
A acusação sustenta que instituições financeiras foram induzidas a processar operações relacionadas aos negócios iranianos da Huawei sem conhecer plenamente a relação entre as empresas.
A defesa argumenta que os bancos envolvidos tinham conhecimento das atividades comerciais da companhia no Irã e contesta a interpretação dos promotores sobre as transações.
O caso teve início em 2018 e foi ampliado nos anos seguintes. Em 2020, o Departamento de Justiça apresentou uma acusação substitutiva que incluiu a Huawei e subsidiárias em um processo por conspiração sob a legislação RICO.
Caso de Meng Wanzhou volta ao julgamento
O processo também está ligado ao episódio envolvendo Meng Wanzhou, então diretora financeira da Huawei. Ela foi detida no Canadá em 2018 a pedido das autoridades norte-americanas e permaneceu quase três anos em disputa judicial sobre sua extradição.
Em 2021, Meng firmou um acordo de persecução diferida com o governo dos Estados Unidos e retornou à China. As acusações contra ela foram posteriormente encerradas conforme os termos do acordo.
Declarações reconhecidas por Meng no acordo poderão ser apresentadas como evidência no julgamento da Huawei.
O julgamento está previsto para durar cerca de três meses.
