Terça-feira, 16 de Dezembro de 2025

GSMA propõe rever destino da faixa de 600 MHz no Brasil

A faixa de 600 MHz, atualmente ocupada por canais da TV digital terrestre, foi incluída pela GSMA na agenda de médio e longo prazo para serviços móveis no Brasil. Durante o Painel Telebrasil 2025, em Brasília*, o diretor de espectro da entidade, Luiz Felippe Zoghbi, apresentou estudo técnico que propõe o remanejamento dos serviços de radiodifusão e a destinação da faixa para ampliar a cobertura de 4G e 5G no país.

“Os 600 MHz já estão em uso nos Estados Unidos e no Canadá, inclusive para 5G, e têm um dos ecossistemas de terminais que mais cresce no mundo. A faixa pode representar um ganho de 70 MHz em baixa frequência, com impacto direto na cobertura indoor e em áreas remotas”, afirmou Zoghbi.

86 cidades exigiriam soluções específicas
Segundo a GSMA, 86 cidades brasileiras concentram uso mais intenso da faixa por emissoras de TV, o que exigiria soluções como multiprogramação, remanejamento ou desligamento programado. Em outras localidades, o reposicionamento dos canais seria tecnicamente mais simples.

O estudo propõe que o Brasil inicie desde já um planejamento coordenado entre governo, agência reguladora e setor privado. “É um trabalho de médio a longo prazo, mas que precisa começar agora”, defendeu Zoghbi.

Anatel: faixa comprometida
A superintendente da Anatel, Cristiana Camarate, lembrou que a faixa de 600 MHz foi designada como reserva técnica para a TV 3.0 pelo Decreto nº 12.574/2025, publicado na semana anterior ao painel. “Vamos ter calma e aguardar os próximos capítulos”, disse, reconhecendo que há pressão do setor de telecomunicações pela liberação da faixa.

Setor reconhece potencial, mas pede cautela
O diretor da Vivo, Anderson Azevedo, avaliou que a faixa é promissora, mas lembrou que a capacidade financeira do setor está comprometida com a implementação do 5G até 2029. Para a TIM, Marcelo Mejias reforçou que o debate sobre a reutilização de faixas deve considerar a sustentabilidade econômica dos investimentos e o estágio de desenvolvimento dos ecossistemas.

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