Sábado, 10 de Outubro de 2026

Google Cloud dobra infraestrutura e traz dados do Gemini ao Brasil

O Google Cloud pretende duplicar sua infraestrutura técnica no Brasil até 2030, ampliando a capacidade local de processamento, armazenamento e computação de alto desempenho. A empresa também anunciou que, a partir de 15 de outubro, dados utilizados pelo Gemini Enterprise poderão ser processados dentro do país.

As medidas foram apresentadas nesta quinta-feira, 24, durante o Google Cloud Summit Brasil, em São Paulo. O valor do investimento e o volume de capacidade que será acrescentado não foram divulgados.

A expansão busca atender ao crescimento das cargas de IA, especialmente as relacionadas a agentes capazes de executar tarefas, acessar informações corporativas e interagir com diferentes sistemas.

“À medida que as empresas implementam mais a IA agêntica, os clientes nos relatam que frequentemente enfrentam os mesmos três desafios: custo, clareza sobre o valor de negócios e a necessidade de controles de nível corporativo”, afirmou Thomas Kurian, CEO global do Google Cloud.

Processamento local começa em outubro
A partir de 15 de outubro, a versão web do Gemini Enterprise passará a processar no Brasil os dados dos clientes que utilizam o modelo Gemini 3.5 Flash. O armazenamento das informações empregadas nas cargas de agentes já pode ser realizado na região brasileira da nuvem.

A medida busca atender empresas sujeitas a requisitos de soberania, governança e localização de dados. Segundo o Google Cloud, informações e resultados dos clientes não são usados para treinar seus modelos fundamentais sem consentimento explícito.

A operação local também tende a reduzir a latência das aplicações e permite que as empresas mantenham no país o processamento de informações sensíveis. A região de nuvem do Google Cloud em São Paulo funciona desde 2017.

Para sustentar as novas cargas, a companhia disponibilizou no Brasil máquinas virtuais G4 equipadas com GPUs Nvidia RTX PRO 6000 Blackwell Server Edition. Os equipamentos são destinados a aplicações que exigem maior capacidade de inferência e respostas em tempo real.

A chegada das GPUs sucede a instalação das TPUs Trillium, chips desenvolvidos pelo próprio Google e disponibilizados na região brasileira em 2025. A infraestrutura passa, assim, a oferecer aos clientes a opção de utilizar aceleradores do Google ou da Nvidia.

Uso de agentes avança mais rápido que governança
Um estudo encomendado pelo Google Cloud à IDC e à Provokers mostra que 62% das organizações brasileiras estão implementando ou acelerando a adoção de agentes de IA. Apenas 17%, contudo, consolidaram o uso da tecnologia com governança suficiente para aplicá-la em diferentes processos centrais.

A pesquisa ouviu 650 profissionais de empresas com pelo menos 500 funcionários no Brasil, dentro de uma amostra de 3,2 mil participantes na América Latina.

Durante entrevista coletiva, Eduardo López, presidente do Google Cloud para a América Latina, afirmou que o avanço da tecnologia supera a capacidade das organizações de preparar profissionais e estabelecer regras para seu uso.

“A tecnologia já chegou lá. Ela está caminhando mais rápido do que a própria capacitação dos trabalhadores e da população como um todo”, disse López.

Entre os profissionais brasileiros pesquisados, 71% já utilizam assistentes de IA e 59% delegam tarefas a agentes. A adoção individual, porém, nem sempre ocorre em plataformas corporativas submetidas aos controles das empresas.

López alertou que parte dos trabalhadores considera baixo ou inexistente o risco de usar ferramentas pessoais de IA no ambiente profissional. A prática pode expor código, documentos, propriedade intelectual e outras informações internas a serviços sem a governança definida pela organização.

Empresas travam entre o teste e a produção
Os executivos também atribuíram a diferença entre experimentação e adoção consolidada à facilidade de criar provas de conceito. A passagem para a produção exige controles adicionais de segurança, acesso aos dados, escala e monitoramento.

“A partir daí, colocar isso em produção exige outras camadas, outros serviços, e é onde a grande maioria das empresas fica estrangulada”, afirmou um dos executivos durante a entrevista.

Para reduzir essa barreira, o Google Cloud ampliará no Brasil sua equipe de Forward-Deployed Engineers, profissionais que trabalham diretamente com os times técnicos dos clientes e parceiros. Os projetos costumam reunir de três a cinco engenheiros e durar entre seis e 12 semanas, embora trabalhos mais complexos possam se estender por até seis meses.

Magalu e Natura estão entre as empresas que desenvolvem aplicações com essas equipes. Segundo o Google Cloud, a atuação não se limita à consultoria: o objetivo é conduzir o projeto até sua entrada em produção.

Avaliação de segurança será gratuita
O Google Cloud também anunciou que empresas brasileiras poderão solicitar gratuitamente uma avaliação do ambiente externo realizada pelo Red Agent, da Wiz. A ferramenta atua como um teste de invasão automatizado, identifica riscos exploráveis e produz uma lista de vulnerabilidades por prioridade de correção.

A oferta gratuita será exclusiva para organizações no Brasil. O serviço integra a oferta do Google Cloud para ampliar a proteção de códigos, bancos de dados, aplicações e agentes de IA.

A empresa anunciou ainda 10 mil vouchers gratuitos para certificações técnicas no país. A iniciativa faz parte da meta de capacitar 3 milhões de brasileiros em IA e tecnologias de nuvem até 2030.

Nesta sexta-feira, 25, o Google Cloud realizará uma nova edição do Capacita+, em parceria com mais de 150 instituições de ensino. A expectativa é treinar 200 mil pessoas em um único dia, com atividades presenciais e transmissão pela internet.

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