Fitch mantém rating e vê Alares como consolidadora na banda larga
A agência de classificação de risco Fitch Ratings reafirmou a nota de crédito de longo prazo “A(bra)” à Alares e à quarta emissão de debêntures seniores da empresa, de acordo com relatório divulgado nesta segunda-feira, 13. A perspectiva é estável.
Em sua avaliação, a Fitch destacou que o rating da Alares “reflete sua mediana presença no crescente mercado de banda larga” e “o sucesso de sua estratégia de crescimento orgânico e inorgânico”, que não tem tido impacto sobre a alavancagem.
“A classificação é limitada pela de reduzida a moderada escala da companhia, pela intensa concorrência e pelos riscos inerentes de uma estratégia de crescimento via aquisições. O cenário base da Fitch incorpora manutenção de uma liquidez moderada”, pontua a agência.
Cenário da banda larga
A Fitch, conforme o relatório, ressalta que a Alares é líder, em termos de base de clientes, na maiores das 232 cidades em que opera, ainda que detenha participação de 1,5% no mercado nacional de banda larga.
A agência ainda sustenta que, apesar do cenário macroeconômico desafiador, incluindo restrição de crédito para aquisição de novos assinantes, a empresa tem conseguido manter a base de cerca de 820 mil assinantes. O ponto negativo é que “a manutenção deste cenário poderá dificultar o repasse da inflação para as mensalidades no médio prazo”.
A Fitch ainda diz que o setor de telecomunicações deve continuar o processo de consolidação, com a Alares mantendo “o papel de consolidadora de ISPs com recursos próprios ou aportes do acionistas”.
“A velocidade com que as últimas três aquisições foram integradas e o impacto marginal dessas transações nas margens indicam que a empresa deve continuar a explorar esta avenida de crescimento. O cenário base da Fitch não incorpora novas aquisições, apesar de serem prováveis”, avalia a agência.
Projeções financeiras
No que diz respeito aos aspectos financeiros, a Fitch vê a Alares reportando fluxo de caixa livre (FCF, na sigla em inglês) negativo em 2026 e 2027, em função de investimentos em modernização de rede na ordem de 25% a 30% da receita líquida.
Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) deve alcançar R$ 454 milhões neste ano, subindo para R$ 487 milhões no ano que vem, com margens em torno de 46%.
A agência lembra que, em 12 meses até março deste ano, a Alares reportou alavancagem líquida de 3,1 vezes, segundo métricas da agência. A expectativa é de que o indicador fique abaixo de 3,5 vezes, desde que não ocorra novas aquisições financiadas, sobretudo, por dívida.
“A Fitch não descarta que, devido ao histórico de fusões e aquisições (M&A), a Alares registre alavancagem temporariamente acima da sensibilidade de rating, em decorrência de custos de integração. Todavia, o histórico tem indicado que a alavancagem tende a voltar para patamares mais adequados de um a dois trimestres após a incorporação”, pontua.
