Financiamento para a TV 3.0 exigirá até R$ 11 bilhões; governo busca crédito
A transição da televisão aberta para a tecnologia 3.0 no Brasil demandará um investimento estimado entre R$ 9 bilhões e R$ 11 bilhões, segundo o setor de radiodifusão. A viabilidade financeira da migração foi o tema central de um debate no SET Expo 2025, em São Paulo, onde o governo federal anunciou que busca uma linha de crédito internacional de US$ 100 milhões como passo inicial para apoiar o setor.
A discussão também abordou a importância de replicar modelos de sucesso da transição digital anterior, incluindo o subsídio de receptores para a população de baixa renda. O painel reuniu representantes do setor e do governo, que concordaram sobre a necessidade de criar políticas públicas que garantam a competitividade da TV aberta.
Flávio Lara Rezende, presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), apresentou a estimativa de custo e defendeu o financiamento público como essencial. “Nós precisamos de ter uma linha de crédito, de financiamento público para que a gente possa fazer essa travessia”, afirmou. Ele argumentou que a TV 3.0 é crucial para que a radiodifusão possa competir com plataformas digitais que, segundo ele, não possuem as mesmas obrigações fiscais e regulatórias.
Aprender com as experiências passadas foi um ponto levantado por Márcio Novaes, presidente da Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abratel). Ele sugeriu repetir o modelo da transição do analógico para o digital e da migração da banda C para a KU, que foram bem-sucedidos. Alinhado à necessidade de recursos, Novaes propôs subsidiar ou fornecer os novos equipamentos para a população do Cadastro Único. A medida, segundo ele, garantiria o acesso universal à nova tecnologia e incentivaria os investimentos na infraestrutura de transmissão.
Financiamento é prioridade
Em resposta, Wilson Diniz Wellisch, secretário do Ministério das Comunicações, confirmou que o financiamento é uma prioridade.
“Já está na nossa proposta de pauta para o próximo ano. A gente colocou lá US$ 100 milhões para estruturar uma linha de crédito para TV 3.0”, disse. Ele explicou que o governo buscará aprovação para a tomada de crédito internacional junto ao COFIEX, um órgão do Ministério da Fazenda, e que este seria um primeiro passo para viabilizar a atualização tecnológica das emissoras.
Além do financiamento, a garantia de boas condições de competição foi apontada como um desafio. Gerson Inácio de Castro, presidente da Associação Brasileira de Televisões e Rádios Legislativas (Astral), e Vinícius Caram, conselheiro da Anatel, manifestaram preocupação com a “proeminência” dos canais abertos nos novos televisores, que muitas vezes priorizam aplicativos de streaming.
“A gente vai ter Smart TV em casa que esconde os canais abertos”, alertou Castro. Caram reforçou a necessidade de ações para “garantir a sustentabilidade e igualdade no setor”, tratando da assimetria regulatória com as plataformas digitais.
Ao encerrar o debate, o moderador Paulo Henrique Castro, presidente da SET, destacou que a discussão sobre radiodifusão envolve temas como democracia, inclusão e soberania. Ele reforçou a visão de que a implementação da TV 3.0 é um projeto de País que depende da colaboração entre o setor privado, as empresas públicas e o governo.
