Fibra não chega à metade da base da SKY, que aposta em satélites
As redes de fibra óptica incorporadas pela SKY no Brasil ainda não permitem oferecer internet fixa a metade de sua base de clientes de TV por assinatura. Para ampliar a cobertura, o grupo pretende combinar as operações terrestres adquiridas no País com satélites de baixa órbita e a infraestrutura geoestacionária utilizada no serviço de DTH.
A ideia foi apresentada por Rodrigo Fernandes da Silva, head de conectividade por satélite da Waiken ILW, grupo responsável pelas operações da SKY e da DirecTV na América Latina, durante o Telco Transformation, realizado no Rio de Janeiro*.
“A gente tem as coberturas de fibra das empresas que adquiriu, mas não conseguiu cobrir 50% da nossa base de clientes de TV por assinatura com internet fixa. Esse dado reforça a necessidade de ter mais de uma abordagem”, afirmou.
O grupo vem adquirindo operações de fibra para estruturar uma plataforma unificada no Brasil. Também realizou investimentos em conectividade no Peru e mantém projetos no Chile e em outros mercados latino-americanos.
Amazon Leo complementará redes terrestres
Nos locais em que a fibra não alcançar os clientes, a estratégia inclui conectividade via satélite. A Waiken ILW firmou uma parceria para distribuir os serviços do Amazon Leo na América Latina. O projeto da Amazon utiliza uma constelação de baixa órbita para oferecer banda larga.
Na área de conteúdo, a companhia pretende manter o DTH e, simultaneamente, ampliar a distribuição por streaming. A tecnologia utilizada dependerá da localização, da demanda e das características de cada cliente.
“Nossa oferta de serviços corporativos vai passar pela fibra e pelo satélite. Na parte de conteúdo, oferecemos tanto DTH quanto streaming. A combinação dessa gama de serviços é o que traz valor, porque permite oferecer soluções que atendam ao problema dos clientes”, disse Fernandes.
GEO e LEO devem coexistir
O executivo afastou a hipótese de uma substituição rápida dos satélites geoestacionários pelas constelações de baixa órbita. Os dois sistemas apresentam características diferentes e poderão ser empregados de forma complementar.
Os satélites LEO oferecem latência mais próxima à das redes terrestres e podem atender aplicações com maior demanda de capacidade. Os sistemas GEO permanecem associados a serviços que exigem cobertura ampla, disponibilidade e resiliência, além de sustentarem a distribuição da TV por assinatura via satélite.
“Os satélites que estão aí há tanto tempo não deixam de existir de uma hora para outra. Eles continuam prestando um serviço resiliente, com alta disponibilidade”, declarou.
Preço do terminal limita expansão
O custo do equipamento instalado no endereço do usuário ainda representa uma barreira para a expansão da internet por satélites de baixa órbita. A produção em maior escala pode reduzir os preços, mas Fernandes defendeu a criação de modelos comerciais que diminuam o desembolso inicial do consumidor.
A distribuição também impõe desafios às constelações concebidas para atuar globalmente. Além de disponibilizar a tecnologia, as empresas precisam comercializar os serviços, instalar os equipamentos e prestar atendimento nos mercados locais. Segundo Fernandes, o papel da Waiken ILW inclui oferecer infraestrutura, suporte e proximidade com o cliente nos países em que o grupo atua.
A redução do custo de entrada será necessária para que a cobertura disponível se transforme em acessos contratados. Conforme o dado apresentado pelo executivo no painel, mais de 48 milhões de domicílios permanecem sem conexão na América Latina.
* O jornalista viajou a convite do Conecta Latam
