Equatorial investirá R$ 172 milhões para modernizar gestão da distribuição de energia
O Grupo Equatorial anunciou um investimento de R$ 172 milhões para implementar uma nova solução tecnológica voltada à gestão da distribuição de energia elétrica em suas áreas de concessão, que atendem cerca de 14 milhões de imóveis.
Denominado Sistema de Gerenciamento Avançado na Distribuição (ADMS, na sigla em inglês), o sistema é uma plataforma da Schneider composta por softwares que permitem o controle das redes elétricas. A tecnologia foi projetada para realizar manobras de forma mais eficiente e rápida em linhas, subestações e equipamentos, aumentando a segurança e a eficácia na operação.
O aporte faz parte do plano de investimentos da empresa. A previsão é de que, até 2026, todas as sete distribuidoras do grupo adotem o novo sistema. Segundo Maurício Velloso, diretor executivo de inovação, clientes e serviços do Grupo Equatorial, o projeto é um dos maiores já realizados no Brasil na área de distribuição de energia.
Segundo Velloso, a ferramenta proporciona uma visão em tempo real e controle avançado do sistema. A plataforma também ajudará a detectar falhas na rede mais rapidamente, possibilitando uma ação com mais precisão para resolver problemas.
“Este é um projeto que já implantamos em Alagoas. Para 2025, temos mais três distribuidoras que vamos fazer esta mudança (…). Somos cautelosos no processo de mudança de forma que não tenha impacto ao cliente, mas em dois anos queremos beneficiar 100% dos clientes das sete distribuidoras”, diz.
Os benefícios ainda não foram totalmente constatados, já que a empresa está em operação assistida e os processos de automação entram gradativamente, mas o executivo frisa que a curva de aprendizado já vem ocorrendo. As próximas distribuidoras que terão o sistema implantado serão Piauí, Goiás e Amapá, concessões que precisam de melhorias na gestão dos serviços.
A adoção de tecnologias avançadas ocorre em um contexto de pressão crescente sobre concessionárias de energia, que enfrentam desafios impostos pelas mudanças climáticas e pela necessidade de garantir a estabilidade e a confiabilidade do fornecimento elétrico. Governos locais, autoridades do setor elétrico e o poder concedente têm exigido soluções que promovam a integração de fontes renováveis, melhorem a resposta a falhas e assegurem maior resiliência da rede elétrica diante de eventos climáticos extremos.
“Dentro da plataforma adquirida, o próximo ‘release’ [atualização] incluirá funcionalidades que permitirão associar eventos climáticos às operações da rede, ajudando a prever de forma mais precisa os impactos que esses fenômenos podem causar no sistema elétrico”, afirma.
Por outro lado, dentro do setor elétrico, todos os investimentos recaem sobre a tarifa dos consumidores, daí a necessidade de equacionar investimentos em melhorias e modicidade tarifária.
O reajuste extraordinário é previsto em contrato por causa dos investimentos feitos para melhorias na rede de distribuição nos primeiros anos de concessão, mas tem gerado polêmicas. Em 2024, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) Aneel apresentou um cálculo do reajuste em setembro de 2023, propondo um aumento médio de 44% nas tarifas da Equatorial Amapá (antiga Cea – Companhia de Eletricidade do Amapá).
O percentual depois foi recalculado pela área técnica da agência para 34%. Integrantes da bancada do Amapá chegaram a procurar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para exigir uma solução.
Os investimentos precisam ser realizados com prudência, respeitando as regras da Aneel, e são indispensáveis para a melhoria dos serviços, especialmente em concessões que demandam aportes significativos. No Rio Grande do Sul, por exemplo, 70% da rede é composta por postes de madeira, o que exige investimentos para modernização”, afirma. “Todo o investimento em tecnologia ADMS visa aumentar a eficiência operacional e não será repassado diretamente para as tarifas”, complementa.
