Domingo, 12 de Julho de 2026

Energias combinadas: PUC-Rio constrói inédita usina híbrida piloto voltada à segurança energética

O Instituto de Energia da Puc-Rio vai inaugurar, na terça-feira, 28, uma inédita usina híbrida piloto voltada à pesquisa e testes de fontes energéticas combinadas, em um projeto desenvolvido ao longo dos últimos seis anos e apoiado pela Petrogal Brasil. Com investimento de R$ 23 milhões, a universidade implantou em escala real a usina UHP IEPUC, em Xerém, no município de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro.

À frente do projeto, o professor da Puc-Rio e ex-presidente da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), Eloi Fernández y Fernández, explica que a iniciativa busca criar um laboratório experimental para avaliar, na prática, como diferentes fontes se complementam e como isso pode ser aplicado em situações reais de fornecimento de energia. A planta reúne geração solar, motores a gás natural e a diesel/biodiesel, além de baterias.

“Tem solar, tem um motor gerador a gás natural, tem um motor gerador a diesel, tem bateria para armazenagem e um laboratório que produz hidrogênio verde com a geração fotovoltaica”, explicou Eloi, ressaltando que os testes servem para avaliar a eficiência dos equipamentos e a competitividade dos custos.

Segundo ele, o foco da usina é garantir estabilidade e continuidade, especialmente diante da intermitência das energias renováveis. “O objetivo é a segurança energética”, disse, citando situações como a falta de sol à noite e a passagem de nuvens que comprometem a energia solar, e a necessidade de atender cargas contínuas de indústrias, agronegócio e regiões isoladas, como a Amazônia, hoje majoritariamente dependente de diesel.

“O setor industrial precisa ter energia de forma contínua. Ou mesmo na região amazônica, onde tudo hoje é sustentado a diesel, como fazer essas complementaridades? Daqui a pouco você derruba a floresta amazônica inteira para botar solar lá, e isso não tem sentido”, explica, em relação à substituição do óleo diesel usado em lugares de difícil acesso no Amazonas por usinas híbridas com fontes renováveis.

Na usina experimental, a geração solar fotovoltaica terá potência de 320 quilowatts-pico (kWp); a geração a gás natural, de 320 quilowatts (kW); geração a diesel/biodiesel, de 252 kW; armazenamento em baterias, 100 kW/138 quilowatt-hora (kWh); banco de carga programável, 320 kW; e módulo de hidrogênio verde, 1 kW (expansível a 26 kW).

Eficiência
A planta permite simular perfis de carga diversificados — instalações industriais, data centers, agroindústria e sistemas isolados — com coleta automatizada de dados para análise de desempenho, eficiência e emissões. Pela amplitude e integração de tecnologias em escala real, a UHPconstitui infraestrutura experimental única no ecossistema brasileiro de PD&I em sistemas híbridos de geração.

Também na indústria do petróleo, onde Fernandéz atuou por mais de 10 anos, à frente da Onip, usinas híbridas podem ser a solução para abastecer de energia elétrica as refinarias e até mesmo as plataformas marítimas, o que já despertou a atenção de outras petroleiras. “A própria Petrobras está com interesse grande de entrar nesse projeto”, informa Eloi.

No lançamento, na próxima semana, Eloi prevê reunir empresas potencialmente interessadas, como distribuidoras e geradoras do setor elétrico. A configuração de cada sistema vai depender do perfil de carga, dos combustíveis disponíveis localmente, da infraestrutura existente e do estágio de descarbonização já alcançado.

“A trajetória mais realista, em muitos cenários, passa pela hibridização progressiva dos sistemas térmicos com a adição de renováveis, armazenamento e combustíveis de menor carbono”, concluiu.

 

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