Empresas de IoT cobram mais atenção ao segmento no PGMC
Operadoras virtuais especializadas na oferta de serviços baseados em internet das coisas (IoT) defenderam nesta quarta-feira, 20, no V Simpósio TelComp 2025, em Brasília, que o PGMC (Plano Geral de Metas de Competição da Anatel) corrija falhas para o bem da competitividade do segmento. O debate contou com a participação de André Martins, CEO da NLT Telecom; Carlos Campos, diretor-geral da Emnify Brasil, e Samy Uziel, diretor técnico da Datora.
Para os executivos, o setor só alcançará as metas de digitalização previstas em políticas públicas se houver manutenção em instrumentos como o PGMC e RUE das ofertas de atacado reguladas. E criticam a proposta atualmente em pauta na Anatel em relação à internet das coisas.
“Se o PGMC for alterado como está sendo proposto, haverá a extinção da oferta regulada e o mercado ficará restrito a negociações predatórias, inviabilizando novos entrantes”, disse Martins.
Para Campos o PGMC deve olhar além da concorrência entre empresas: “Não se trata apenas de competitividade. É sobre criar mecanismos para que essas tecnologias possam de fato acontecer no Brasil”.
Martins ressaltou que o mercado de IoT requer disponibilidade de rede, mas que a regulação ainda não facilita acesso de um dispositivo a múltiplas operadoras . “Para oferecer resiliência de rede, não basta uma rede de acesso. É preciso ter várias redes de acesso no mesmo SIM card ou eSIM. É daí que vem o chamado chip multioperadora”, explicou.
Ele criticou as barreiras regulatórias e disse que esses modelos são comuns em outras partes do globo. “Na Europa e nos Estados Unidos é muito fácil ter um SIM card que rode em várias redes. Aqui, tínhamos muita restrição. A Anatel avançou, democratizou em relação ao que era há cinco anos, mas ainda precisamos de mais abertura”, disse.
Segundo o executivo da NLT, o país continua atrasado em relação à média mundial no segmento. “No mundo, são 4 bilhões de acessos IoT em rede celular, o que dá um para cada dois habitantes. No Brasil, chegamos a 50 milhões em junho, para 226 milhões de pessoas. Nossa proporção é de um para quatro”, observou.
Investimentos e tecnologias emergentes
Carlos Campos, da Emnify, destacou que a demanda crescente da indústria exige redes resilientes e acesso a novas tecnologias. Ele citou a necessidade de acesso a padrões como NB-IoT, LTE-M, 5G RedCap e soluções não terrestres (NTN).
E destacou a importância de simplificar as ofertas reguladas criadas pela Anatel após a venda da Oi Móvel. “A fragmentação entre roaming, MVNO e ofertas de atacado cria situações diferentes para demandas que, na prática, são fluidas. O novo PGMC precisa manter os remédios conquistados, mas de forma mais simplificada e aderente ao IoT”, avaliou executivo.
Samy Uziel, da Datora, enfatizou o papel das redes privativas em regiões onde as grandes operadoras não atuam. “Hoje a rede privativa aparece como alternativa à rede pública. Não é só no agro ou em IoT, mas como conectividade para comunidades inteiras que não têm acesso. Muitas vezes é a única solução”, afirmou.
Segundo Uziel, a atuação das prestadoras de pequeno porte é decisiva na expansão da IoT, daí a preocupação com o PGMC. “Não é a grande operadora que vai resolver esse problema. É a pequena. Mas, para isso, precisamos de acesso ao espectro e do apoio do PGMC”, disse.
Uziel chamou atenção para a importância da previsibilidade regulatória. “O que precisamos nesse mercado é previsibilidade. Só assim podemos montar business plans sólidos e dar resiliência às nossas soluções”, disse.
Anatel vota PGMC
A Anatel marcou para sexta-feira, 22, uma reunião extraordinária para votar o texto do novo PGMC. Por ora, apenas o conselheiro substituto Vinícius Caram deixou seu voto, consignado, de relator quando estava no cargo no primeiro semestre. O tema foi alvo de pedido de vistas de Alexandre Freire, que devolverá a pauta nesta semana.
