Em ERBs 5G por habitante, Vitória lidera e São Paulo é antepenúltima
Vitória, no Espírito Santo, é a capital com mais antenas 5G em relação ao tamanho da população. Na cidade, são mais de oito estações rádio base (ERBs) de quinta geração móvel para cada 10 mil habitantes.
O levantamento realizado por TELETIME utilizou a base de licenciamentos de ERBs 5G na Anatel até março. Foram consideradas todas as faixas de frequência disponíveis para a tecnologia. Por muito tempo, o primeiro lugar entre as capitais foi ocupado por Brasília, onde o 5G foi inaugurado no País.
Em Vitória, são 262 as ERBs 5G licenciadas. O número pode parecer pequeno frente às 5,1 mil em São Paulo ou 3,3 mil no Rio de Janeiro, mas a capital capixaba tem apenas 322 mil habitantes, o que eleva a taxa em relação ao contingente populacional.
Falando em São Paulo, a cidade despencou na lista: atualmente, tem a terceira menor densidade de antenas 5G para cada 10 mil pessoas (4,53 ERBs) entre as capitais. Ao final de 2023, a capital paulista ocupava a nona posição no ranking nacional. Hoje, o desempenho paulistano só fica acima de Maceió (4,49) e Boa Vista (4,47).
Já Florianópolis, em Santa Catarina, apareceu na segunda posição com 6,14 antenas 5G para cada 10 mil habitantes. A capital do Rio Grande do Norte, Natal, também foi destaque, ocupando o terceiro lugar (média de 6 ERBs, a melhor do Nordeste).
Desigualdade entre capitais diminui
Passados quase quatro anos desde a inauguração da quinta geração móvel no Brasil, é possível dizer que a distribuição dessas antenas, ao menos nas capitais, está menos desigual.
Em outubro de 2023, por exemplo, Brasília (até então líder no ranking) tinha quase quatro vezes mais sites 5G per capita do que Boa Vista, em Roraima (que era a última colocada). Agora, a taxa de antenas por habitante da primeira colocada (Vitória) é “apenas” 1,8 vez maior do que a última colocada, que segue sendo Boa Vista.
Vale lembrar que a densidade de antenas é apenas uma das variáveis que determinam a qualidade do 5G. O tipo de frequência utilizada também tem peso relevante.
Faixas mais baixas, como 700 MHz, permitem cobrir áreas maiores com menos estações, mas oferecem menor capacidade de tráfego. Já frequências mais altas, como 3,5 GHz (principal faixa do 5G no Brasil) entregam maiores velocidades, porém exigem uma rede mais densa de antenas.
Na prática, isso significa que cidades com menor densidade de ERBs até podem manter bom serviço, mas tendem a enfrentar mais limitações de capacidade em cenários de alta demanda.
Estados
Se a desigualdade do acesso à tecnologia 5G diminuiu entre as capitais, o mesmo não pode ser dito quando se compara o adensamento nas unidades federativas brasileiras.
Distrito Federal e o Rio de Janeiro lideram nesse quesito, com a maior quantidade de antenas desse tipo para cada 10 mil habitantes: 5,94 e 4,33, respectivamente. Na outra ponta da lista estão Tocantins (1,52) e Maranhão (1,35).
O Distrito Federal e o Rio de Janeiro compartilham características que ajudam a explicar o melhor desempenho no adensamento do 5G: alta concentração urbana, densidade populacional elevada e um território relativamente pequeno.
Na prática, isso torna a implantação de infraestrutura mais eficiente. As operadoras conseguem atender mais usuários em áreas menores, com menor custo por usuário e maior retorno sobre o investimento. Esse ambiente também favorece a conexão das áreas rurais, que não ficam tão distantes da mancha urbana.
O cenário é diferente em estados mais extensos e menos densos. Um exemplo é o Tocantins, que aparece entre os piores no indicador. O estado tem cerca de 1,5 milhão de habitantes distribuídos em mais de 277 mil km² — uma área 48 vezes maior que a do DF, que concentra quase o dobro da população.
5G
Maior operadora do Brasil, a Vivo também lidera em número de antenas 5G licenciadas no País: 19,9 mil. A segunda colocada é a Claro (15,8 mil), seguida pela TIM (15,3 mil).
Operadoras regionais também ajudam a impulsionar a quantidade de infraestruturas licenciadas. A cearense Brisanet, por exemplo, já tem 1,8 mil ERBs de quinta geração móvel — sendo a maioria no Ceará. Neste ano, a empresa chega ao Centro-Oeste. A catarinense Unifique (571) e a mineira Algar (194) aparecem em seguida.
Entre regiões, o Sudeste segue como a região com maior concentração de antenas 5G do Brasil. Já o Centro-Oeste ocupa a segunda posição. No entanto, os dados da Anatel indicam que essa média é puxada pelo alto índice do Distrito Federal, já que Goiás (2,47), Mato Grosso do Sul (2,41) e Mato Grosso (2,05) apresentam números mais baixos.
O Brasil registrou, no último mês de fevereiro, 61,2 milhões de acessos na quinta geração móvel. Segundo a Anatel, a tecnologia já representa 28,2% dos acessos móveis no País.



