Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2026

Eletrônicos vão pesar no bolso em 2026

A partir do início de 2026, celulares, notebooks e outros eletrônicos devem ficar consideravelmente mais caros no Brasil. O alerta vem do vice-presidente sênior da Samsung, Gustavo Assunção, que estima aumentos entre 10% e 20% nos preços finais. O problema nasceu da escassez global de chips de memória, especialmente os DDR4, ainda muito usados em boa parte dos dispositivos vendidos hoje.

A indústria de semicondutores vive uma virada brusca. Os grandes fabricantes, Samsung, SK Hynix e Micron, estão reduzindo a produção de DDR4 para focar nos chips HBM, voltados a data centers de inteligência artificial. Nas últimas semanas, a situação ficou ainda mais clara com o anúncio da Micron de que encerrará a marca Crucial de memória RAM após quase 30 anos. Segundo Assunção, o custo da memória já sobe desde setembro e deve avançar “dois dígitos generosos” em 2026, algo entre 20% e 40%.

Até aqui, as fabricantes vinham segurando a onda e absorvendo os aumentos. Mas isso deve acabar já em janeiro, quando os primeiros reajustes devem aparecer nas prateleiras. E não é só a Samsung que prevê impacto: Dell e Lenovo também avisaram que os preços dos laptops vão subir no mundo todo. A própria Abinee, que representa o setor no Brasil, classifica o cenário como o maior desafio do próximo ano.

Os aparelhos de entrada e intermediários serão os mais afetados, já que dependem fortemente de memória DDR4, hoje em falta. Já os celulares topo de linha, como as linhas Galaxy S25 e S26, devem sentir menos, porque utilizam memórias DDR5, cuja oferta segue estável. A tendência, segundo análises de mercado, é que marcas menores sofram mais para manter a produção, o que pode acelerar a consolidação da indústria. E aumentar a produção? Não é simples: novas fábricas de chips HBM levam anos para ficar prontas, daí a pressão que deve atingir o bolso do consumidor em 2026.

 

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