Sexta-feira, 9 de Outubro de 2026

EACE já conecta mais de 6 mil escolas com tecnologia via satélite

A Entidade Administradora da Conectividade de Escolas (EACE), que executa compromissos de educação conectada vinculados ao leilão do 5G, já está atendendo cerca de 6,1 mil escolas com a tecnologia via satélite, dentro de um total de mais de 30 mil unidades de ensino que receberam conectividade através do programa.

As parciais foram apresentadas pelo presidente da EACE, Flávio Santos, durante o Congresso Latinoamericano de Satélites, evento promovido pela Glasberg Comunicações e TELETIME no Rio de Janeiro. De acordo com Santos, 67% das escolas que contam com a Internet via satélite estão na região Norte e 19%, na Nordeste.

O atendimento é realizado em parceria com a Telebras, que, por sua vez, conta com parceiros privados para complementar a oferta de capacidade. Entre eles, as operadoras de satélites SES e Hispasat – que comemoraram durante o debate o andamento da política.

Daniel Laguna, gerente de relacionamento com operadoras e parceiros da Telebras, notou que a tecnologia satelital é útil sobretudo em locais onde a chegada da rede terrestre é inviável por questões de geografia. A avaliação é que nessas regiões a opção tem conseguido entregar bons preços, com tecnologias evoluindo rumo a maiores capacidades.

A política foi aderente aos planos de operadoras como a Hispasat – que tem oferecido um produto via satélite específico para a vertical de educação, relatou Sérgio Chaves, head de vendas da empresa. A Hispasat possui abordagens semelhantes para outras áreas, como saúde e comunicações críticas.

Já na SES, além das escolas, a parceria com a Telebras também permitiu o uso da rede multi-órbita da operadora na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), realizada no ano passado em Belém. O serviço foi útil mesmo em locais com rede terrestre disponível, conta Marcos Coseglio, diretor de vendas para governo da SES.

Neutralidade tecnológica
Eduardo Takafashi, diretor do departamento de infraestrutura e inclusão digital do Ministério das Comunicações (MCom), apontou que o satélite também tem ajudado o governo a conectar unidades básicas de saúde (UBS), inclusive em áreas indígenas, a partir de um Termo de Execução Descentralizada (TED) com o Ministério da Saúde.

Takafashi ainda notou que o recém-lançado edital do MCom para conexão de novas UBS com recursos de fundos setoriais foi tecnologicamente neutro, não fixando tecnologia específica nem vedando a participação do satélite. A abordagem está em linha com o defendido pelo segmento brasileiro de operadoras de satélites.

Segundo o diretor do MCom, havia resistências dentro do governo com as conexões via satélites, sobretudo por conta da comparação com os serviços disponíveis em cenários metropolitanos. Mas, na prática, considerando variáveis logísticas e geográficas, a opção pela tecnologia em localidades remotas tem se mostrado uma boa alternativa.

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